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Na disputa contra o PL, Alcolumbre pode oferecer vice a Tereza Cristina em troca de apoia-la para presidente do Senado em 2029

Por Edu Mota, de Brasília

Na disputa contra o PL, Alcolumbre pode oferecer vice a Tereza Cristina em troca de apoia-la para presidente do Senado em 2029
Foto: Ton Molina/Agência Senado

Apenas alguns dias depois do segundo turno das eleições 2026, tornou-se mais acirrada a disputa pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado, cuja eleição se dará no início de fevereiro de 2027. E enquanto Hugo Motta (Republicanos-PB) já conquistou apoios suficientes para garantir sua permanência na cadeira, no Senado, a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) ainda enfrenta cenário totalmente incerto.

 

O PL, partido do candidato a presidente Flávio Bolsonaro, deve lançar na próxima semana o senador Rogério Marinho (RN) como candidato a presidente. E mesmo com o PL provavelmente fechando questão em torno do nome do coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, Alcolumbre ainda busca adesões no partido bolsonarista, contando com o voto secreto para promover traições na cúpula oposicionista.

 

O terceiro nome que corre por fora é o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que apesar de estar sendo assediada tanto por Marinho quanto por Alcolumbre, segue mantendo sua disposição de concorrer à eleição no Senado.

 

A senadora, horas depois da confirmação de que Flávio Bolsonaro havia viajado para os Estados Unidos, divulgou uma nota na qual reafirmou sua intenção de disputar a presidência e sinalizou disposição para dar andamento a pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

A manifestação de Tereza Cristina representa um movimento de confronto direto à candidatura de Davi Alcolumbre, que, nesta semana, esteve reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e recebeu o apoio do Palácio do Planalto para tentar permanecer no comando do Senado e do Congresso Nacional.

 

Alcolumbre já indicou que não pretende avançar com processos de afastamento de integrantes do STF. Já Tereza Cristina defendeu que a escolha da nova direção do Senado leve em consideração a composição política resultante das eleições e a vontade dos parlamentares que assumirão seus mandatos.

 

“Mal saímos da eleição e vimos nosso candidato Flávio Bolsonaro ser abordado na rua depois de visitar o pai por policiais. Será que o Judiciário renovará neste quarto mandato a perseguição política contra adversários do atual governo?”, questionou a senadora.

 

A declaração da senadora do PP foi divulgada depois que o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF). O episódio passou a ser utilizado por aliados do candidato a presidente como argumento para criticar a atuação do Judiciário e defender mudanças na condução política do Senado.

 

Apesar de sua disposição em manter sua candidatura, o partido da senadora, o PP, já anunciou apoio a Alcolumbre. Lideranças e dirigentes do partido afirmam, reservadamente, que Alcolumbre pode oferecer à senadora uma composição, para que ela seja vice-presidente de 2027 a 2029, e receba apoio para concorrer ao cargo em fevereiro de 2029.

 

Como Davi Alcolumbre não poderá se reeleger em 2029, o senador, nesta composição, apoiaria Tereza Cristina para o cargo de presidente na eleição seguinte. Não se sabe, entretanto, se a bancada governista no Senado apoiaria esse arranjo.