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Vitória de Lula provoca queda histórica da Bolsa e disparada do dólar

Por Redação

Vitória de Lula provoca queda histórica da Bolsa e disparada do dólar
Fotos: Reprodução / Magnific / TSE

O Ibovespa fechou esta segunda-feira (26) em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, no menor patamar desde 17 de julho. A Bolsa brasileira acionou o mecanismo de circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno frustrar as expectativas de parte do mercado.

 

Na mínima do dia, o principal índice da Bolsa recuou 17,34%. O dólar subiu 8,41%, a R$ 5,409, após atingir alta de 12,37% e cotação de R$ 5,604. Os juros futuros e o risco-Brasil também avançaram, refletindo o aumento da aversão ao risco.

 

Às 17h06, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subia 22 pontos-base, para 13,696%. Para janeiro de 2031, a alta era de 254 pontos-base, para 15,190%. O risco-Brasil encerrou em alta de 19,15%, após disparar 27% no início do pregão.

 

A reação reverte parte dos ganhos acumulados antes da eleição. Entre a confirmação das candidaturas e a última sexta-feira (23), o Ibovespa havia subido 15,3%, enquanto o dólar recuara cerca de 2%. Após o primeiro turno, a Bolsa avançou 7,70%, aos 206.911 pontos, superando pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. Na mesma sessão, o dólar caiu 4,11%, para R$ 5,001, sua maior queda diária desde 2018.

 

REAÇÃO DO MERCADO

A vitória de Lula ampliou a preocupação de investidores com a condução da política fiscal e a capacidade do governo de equilibrar as contas públicas. A expectativa de continuidade de gastos elevados pode aumentar o prêmio de risco, pressionar os juros e encarecer o crédito para empresas e consumidores.

 

O J.P. Morgan rebaixou sua recomendação para o real e os títulos públicos brasileiros de overweight (exposição acima da referência) para marketweight (exposição em linha com a referência). Segundo o banco, o resultado eleitoral, considerado inesperado, deve provocar uma “reavaliação significativa” dos ativos brasileiros. A instituição também citou incertezas sobre a composição do governo, os rumos da política econômica e a postura da oposição após Flávio Bolsonaro não reconhecer a derrota.

 

O BTG Pactual, por sua vez, projetou uma venda expressiva de ações brasileiras nas próximas semanas e uma desvalorização de 10% a 15% do real. Para os analistas, juros de longo prazo elevados, moeda mais fraca e expectativas desancoradas podem levar o Banco Central a evitar cortes mais agressivos na taxa básica.

 

Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a queda reflete o descompasso entre as expectativas do mercado e o resultado das urnas. O acionamento do circuit breaker busca conter a pressão vendedora e evitar uma sequência de desvalorizações.

 

Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos, também atribuiu a reação às preocupações fiscais, citando o risco de manutenção de gastos elevados, crédito subsidiado e aumento da relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB). Nesse cenário, empresas com receitas em dólar tendem a ser favorecidas, enquanto setores sensíveis aos juros, como o varejo, podem ser prejudicados.

 

EXPORTADORAS REGISTRAM GANHOS

Na contramão da queda generalizada, algumas empresas exportadoras encerraram o pregão em alta, beneficiadas pela valorização do dólar. A Suzano liderou os ganhos, com avanço de 10,07%, seguida pela Vale, que subiu 4%. Embraer, WEG, Bradespar e Klabin também registraram valorização.

 

A reação dos ativos era esperada por parte dos investidores. Levantamento do Citibank com 73 gestores de fundos de ações e multimercado mostrou que 80% projetavam queda superior a 5% do Ibovespa caso Lula vencesse. Outros 7% esperavam recuo entre 1% e 5%, enquanto 3% previam alta de 1% a 5%.

 

No câmbio, 63% dos gestores esperavam desvalorização superior a 5% do real, e 28% projetavam queda entre 2% e 5%. Já 6% estimavam valorização superior a 5% da moeda brasileira.

 

Apesar da reação inicial, analistas apontam que o comportamento da Bolsa e do dólar no médio prazo dependerá das sinalizações sobre a política fiscal. Para João Daronco, analista da Suno Research, a intensidade e a duração do movimento dependerão das medidas adotadas pelo presidente eleito e da possibilidade de reversão das expectativas do mercado.