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Lula venceu “sobrenome Bolsonaro” e pressão internacional contra reeleição, avalia Otto

Por Fernando Duarte

Lula venceu “sobrenome Bolsonaro” e pressão internacional contra reeleição, avalia Otto
Foto: Marcos Oliveira/ Agência Senado

“Bastião” do PSD em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Otto Alencar avalia que o presidente venceu não apenas o “sobrenome Bolsonaro”, mas também toda uma estrutura, incluindo a pressão internacional, contra um quarto mandato do petista no Palácio do Planalto. Em entrevista ao Bahia Notícias nesta segunda-feira (26), Otto indicou que Lula tem a chance de “apaziguar” o país após a reeleição e chamou Flávio Bolsonaro de “orgulhoso e vaidoso.”

 

“Quando eu queria fazer uma crítica a Flávio sobre economia e tinha problemas para publicar, por exemplo”, citou o senador ao tratar sobre a eventual influência da Meta e de outras plataformas no processo político-eleitoral brasileiro em 2026. Otto listou ações como o tarifaço dos Estados Unidos, as críticas ao pix e também o apoio via big techs a Flávio Bolsonaro como a maior pressão estrangeira sobre uma eleição no Brasil desde a redemocratização. “Nunca um governo americano influenciou tanto numa eleição”, reclamou.

 

Otto ainda ponderou o posicionamento de parte da elite econômica brasileira relacionada com a Faria Lima – avenida de São Paulo conhecida pelos escritórios de investimentos. “Lula derrotou um grupo da Faria Lima, que influenciou no Datafolha e na Quaest”, reforçou o senador baiano. Na véspera do 2º turno, os relatórios previam números para o Nordeste muito abaixo do percentual final obtido por Lula, conforme relato do líder do PSD baiano.

 

Durante a conversa, o senador ainda ironizou o vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre a região Nordeste. “Ele não conhece o norte de Minas, com problemas seríssimos e um IDH menor que o da Bahia”, disse.

 

“UM SOBRENOME”
Ao falar sobre o colega de Senado e candidato derrotado à Presidência da República, Otto tratou Flávio Bolsonaro como “um sobrenome” e chamou-o de “orgulhoso e vaidoso”. “Lamentavelmente, Flávio demonstrou falta de caráter ao não reconhecer a vitória de Lula”, vaticinou o baiano.

 

Para o senador, o momento de Lula permite que o presidente construa, com base no diálogo, um projeto que volte a unificar o país – ou pelo menos minimizar a cisão. “O presidente fez um discurso muito bom, voltado para os brasileiros. Lula disse que vai governar para 215 milhões de brasileiros e não apenas para aqueles que votaram nele”, sugeriu.

 

Em meio a já conhecida “ressaca eleitoral”, Otto preferiu não fazer prognósticos das atividades do Senado nos próximos dias. “Conversei rapidamente com o Davi [Alcolumbre] e ele indicou que vai ‘esfriar’ um pouco essa semana, esperando novos fatos”, indicou, ao comentar sobre a pauta da PEC da Segurança Pública, que aguarda por votação na Casa.