Sócio que denunciou agressão a funcionária no Yacht Clube da Bahia admite erro e pede desculpas à diretoria
Por Redação
O sócio do Yacht Clube da Bahia que relatou em áudio uma suposta agressão a uma funcionária do clube admitiu que a mãe dele não presenciou a cena, ao contrário do que havia dito. Em carta assinada e enviada nesta quinta-feira (22) ao comodoro do clube, Ricardo Dantas, ele pediu desculpas por ter divulgado o caso antes de confirmar os fatos. Segundo o relato original, a trabalhadora teria levado um tapa de um associado depois de dizer que votaria em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.
O autor da carta é Ricardo Cruy, que frequenta o clube desde os quatro anos de idade. No texto, ele afirma que soube do episódio por meio de um familiar e reconhece dois erros. O primeiro foi procurar a imprensa antes da direção do clube. O segundo foi apresentar como testemunho algo que a mãe apenas tinha ouvido. “Apresentei como fato testemunhado algo que era um relato. Peço sinceras desculpas por ambos”, escreveu.
O áudio de Ricardo foi obtido pelo Bahia Notícias e citado em reportagem publicada na quarta-feira (21). Na carta, ele diz que a gravação foi uma mensagem privada, enviada a uma única pessoa, uma jornalista, em tom de desabafo. Segundo ele, o material não foi gravado para ser divulgado e não teve autorização para ser repassado.
“Uma conversa pessoal acabou tratada como declaração pública, e foi isso que deu ao episódio a dimensão que ele tomou, que jamais desejei”, afirmou.
Na quarta-feira (21), o Yacht Clube informou ter aberto uma apuração interna e disse que a própria funcionária negou ter sofrido qualquer agressão. O clube afirmou ainda não ter encontrado nenhum elemento que confirmasse o caso.
Ao fim da carta, Ricardo lamentou a repercussão negativa para o clube e para os associados e disse confiar na apuração feita pela diretoria. O comodoro é o cargo equivalente ao de presidente em clubes náuticos.
Confira a íntegra da carta:
Senhor Comodoro,
Sou sócio do Yacht Clube da Bahia e frequento esta casa desde os 4 anos de idade. Escrevo para esclarecer minha participação no episódio dos últimos dias.
Tomei conhecimento, por relato de um familiar, de que uma mulher, funcionária do clube, teria sido constrangida e agredida nas dependências internas por razões político-ideológicas. Ao saber disso, tomado de indignação, enviei um áudio a uma amiga jornalista. Nele, afirmei que minha mãe havia presenciado a agressão, quando, na verdade, ela ouviu o relato. Também usei palavras duras, pedindo que o caso fosse investigado e o autor responsabilizado.
Reconheço dois erros. Primeiro, procurei uma pessoa da imprensa antes de procurar o clube, quando o Conselho e a Diretoria eram o caminho certo para proceder a apuração dos graves fatos que tive conhecimento. Segundo, apresentei como fato testemunhado algo que era um relato. Peço sinceras desculpas por ambos.
Acrescento um esclarecimento importante: aquele áudio foi uma mensagem privada, enviada a uma única pessoa, em tom de desabafo e com o pedido de que o caso fosse investigado. Ele não foi gravado para ser divulgado e não autorizei que fosse repassado. Ainda assim, foi encaminhado a terceiros e circulou como se fosse notícia, sem qualquer apuração prévia. Uma conversa pessoal acabou tratada como declaração pública, e foi isso que deu ao episódio a dimensão que ele tomou, que jamais desejei.
Lamento profundamente a repercussão para o clube e para os associados. Não tive intenção de atacar esta casa. Eu e meus filhos somos frequentadores assíduos, isso não faria sentido.
Por fim, declaro que confio na lisura da apuração dos fatos por parte da diretoria e no olhar que ela tem para os colaboradores. Peço, por favor, que encaminhe a presente mensagem aos conselheiros. Estou à disposição de todos para quaisquer esclarecimentos.
