Escritório de Flávio Bolsonaro faturou R$ 13,7 mi durante mandato de senador
Por Redação
O escritório de advocacia do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) faturou ao menos R$ 13,7 milhões por meio da emissão de notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho de 2026. A maior parte dos pagamentos foi efetuada por outros escritórios de advocacia e empresas privadas, com descrições genéricas de "assessoria jurídica".
Um levantamento realizado em sistemas dos tribunais estaduais, federais e superiores localizou apenas um processo com atuação formal do parlamentar referente às notas emitidas. A legislação permite a parlamentares o exercício da advocacia privada, desde que não integrem a Mesa Diretora do Senado nem atuem contra órgãos e empresas públicas.
A análise dos comprovantes realizada pelo portal Uol revela que metade dos valores foi quitada por bancas parceiras de advocacia e figuras associadas ao setor empresarial:
- Nilo & Almeida Advogados Associados: Maior cliente do escritório, o estabelecimento emitiu duas notas fiscais no total de R$ 4 milhões em 2025 (29% do faturamento documentado). O sócio Edvaldo Nilo de Almeida, ex-membro da Comissão de Ética Pública e atual conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), declarou que os valores referem-se a serviços prestados em conjunto a clientes privados sem recursos públicos envolvidos.
- Simas Industrial de Alimentos: A fabricante de doces do Rio Grande do Norte repassou R$ 3,3 milhões entre 2023 e 2024. Este foi o único caso com processo localizado no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) reportou ao Supremo Tribunal Federal (STF) atipicidades nas transferências.
- Escritórios de Otto Medeiros: Sociedades vinculadas ao advogado repassaram R$ 2,1 milhões a título de consultoria jurídica privada.
- Defesa de Jair Bolsonaro: O escritório de Daniel Bettamio Tesser, integrante da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, transferiu R$ 970 mil sob a justificativa de assessoria.
A lista inclui ainda pagamentos efetuados por empresas de contabilidade vinculadas ao setor financeiro e pelo empresário do setor de energia Marcos Antonio Grecco.
A empresa Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia foi fundada em 16 de abril de 2021, tendo o parlamentar como único sócio e com endereço registrado em sua residência, em Brasília. A firma não possui funcionários registrados e é administrada por Letícia Caetano dos Reis, irmã de um contador preso por suspeita de fraude contra o INSS.
As movimentações bancárias do escritório entraram na mira da Polícia Federal (PF) no âmbito de um inquérito no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A investigação apura indícios de compartilhamento e conexão financeira de contas bancárias entre o senador e o advogado Willer Tomaz.
A campanha do senador e os escritórios citados foram procurados. Os clientes que responderam alegaram que a prestação de serviços seguiu critérios técnicos sob sigilo profissional, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro não havia retornado aos contatos até o fechamento do texto original.
