“O fim da escala 6x1 é um avanço civilizacional e vai fazer a economia girar”, afirma secretário Augusto Vasconcelos
Por Daniel Araújo
O fim da escala de trabalho 6x1 foi classificado como um "avanço civilizacional" pelo secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Augusto Vasconcelos, durante entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, nesta terça-feira (20). Para o gestor, a redução da jornada estimulará o consumo e diminuirá o volume de afastamentos médicos no país.
Ao rebater a tese de que a mudança trará prejuízos ao setor produtivo, Vasconcelos resgatou o histórico das legislações trabalhistas. “A última vez que havíamos reduzido a jornada de trabalho no Brasil foi em 1988, há quase 40 anos. Em todas as vezes, o argumento das elites econômicas é de que isso ia quebrar o país. Muito pelo contrário, eu avalio que a redução da jornada sem redução de salários vai fazer a economia girar”, afirmou.
O secretário argumentou que o tempo livre se converte diretamente em consumo. “Quanto mais tempo livre para o trabalhador, mais tempo também para ele poder consumir. Áreas importantes como entretenimento, cultura, lazer, esporte, saúde, passam a ter um dinamismo maior”, pontuou.
SAÚDE E PRODUTIVIDADE
Vasconcelos destacou que longas jornadas já resultam em ineficiência devido ao desgaste físico. “Não é a redução da jornada que vai implicar a redução de produtividade, porque a redução de produtividade em algum momento já acontece pela fadiga física e mental”, explicou.
O titular da Setre também chamou atenção para o impacto positivo nas contas públicas. “Os indicadores demonstram que a sobrecarga de trabalho está entre os fatores que mais fazem as pessoas se afastarem pelo INSS, o que implica em custos públicos, tanto para o INSS quanto para o SUS. Ao mesmo tempo, você reduz o número de acidentes de trabalho e os encargos para as empresas”, avaliou.
AMPARO A PEQUENOS NEGÓCIOS
Questionado sobre a apreensão de micro e pequenos empresários durante a transição para a nova escala, o secretário garantiu que o governo estadual e o federal atuam para amortecer os impactos.
“A nossa gestão é toda feita em diálogo com a sociedade”, assegurou Vasconcelos, destacando ações de estímulo financeiro já em curso na Bahia. “Nós temos um programa próprio do estado, que é o CredBahia. Estamos alcançando quase R$ 800 milhões já emprestados, com a meta de, nos próximos anos, chegar a R$ 1 bilhão em empréstimos de até R$ 21 mil para micro e pequenos empreendedores poderem comprar maquinário e matéria-prima”.
No âmbito federal, o gestor citou a ampliação da faixa de faturamento do MEI, desenhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e os programas de renegociação de dívidas. Para Vasconcelos, o crescimento do mercado deve ser ancorado em modernização, e não em exaustão. “O avanço em produtividade não pode significar aumento da exploração. Ele tem que significar melhoria de tecnologia, automação e garantia de condições de trabalho adequadas. Isso sim muda a eficiência", concluiu.
Confira a entrevista completa:
