Rodoviários anunciam passeata em Salvador contra possível fim dos cobradores
Por Lucas Vieira
O Sindicato dos Rodoviários de Salvador anunciou uma passeata para o dia 3 de novembro, no Campo Grande, em defesa da permanência dos cobradores e cobradoras no transporte coletivo da capital baiana. A mobilização foi aprovada pela categoria em assembleia realizada nesta quinta-feira (15) e está condicionada à eventual ampliação da proibição do pagamento em dinheiro para os ônibus convencionais.
Em entrevista ao Bahia Notícias, o presidente do sindicato, Fábio Primo, afirmou que o ato busca cobrar da Prefeitura de Salvador uma definição sobre o futuro dos cerca de 3,8 mil trabalhadores que podem ser afetados pela mudança no sistema de pagamento das passagens.
“Não podemos fazer nenhuma ação de manifestação antes que isso aconteça. No dia 3 seria a nossa primeira e grande mobilização e, caso a gente não tenha êxito nessa manifestação, certamente estenderíamos para outras ações”, declarou.
A preocupação da categoria está relacionada ao decreto municipal publicado em 1º de outubro, que proibiu o pagamento em dinheiro no sistema BRT e prevê a possibilidade de estender a medida aos ônibus convencionais após 30 dias. Até o momento da entrevista, a ampliação da restrição não havia sido oficializada.
Primo afirmou que o secretário de Mobilidade Pablo Souza já havia sinalizado que a suspensão do pagamento em dinheiro nos ônibus convencionais poderia ocorrer a partir de 1º de novembro. Ele ressaltou que a passeata não será uma greve, apenas uma manifestação pública para chamar a atenção da sociedade e do poder público para a situação dos trabalhadores.
A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), por sua vez, afirmou que o QR Code será uma opção adicional de pagamento e que a implantação começará pelo BRT, a partir deste sábado (17), em período de testes. A ampliação para os ônibus convencionais, segundo a pasta, não está confrimada e qualquer mudança será gradativa e dependerá de planejamento.
“Somente 3% de quem usa o transporte paga em espécie. Mas nada vai ser feito sem um planejamento”, informou a assessoria ao BN. A secretaria também ressaltou que, neste momento, o dinheiro continuará sendo aceito normalmente e que não há risco de impacto sobre os postos de trabalho dos rodoviários.
