Fim da escala 6x1: "Trabalhador vai pagar por essa circunstância com inflação", avalia especialista no Bahia Notícias no Ar
Por Daniel Araújo
O fim da escala 6x1 e seus profundos impactos nas relações trabalhistas, no comércio e na economia brasileira foram o tema central da entrevista do contador e professor André Luis Barbosa ao programa Bahia Notícias no Ar, da Antena 1 Salvador, nesta quinta-feira (15). Durante a sua participação, o especialista evitou juízos de valor isolados, mas alertou para as consequências práticas e os custos que a medida trará para a sociedade.
Barbosa destacou que a sociedade está em um momento de transição e que as relações de trabalho vêm sofrendo grandes mutações desde a pandemia. Segundo ele, há uma busca crescente por qualidade de vida e autonomia. "As pessoas estão começando a empreender mais, e isso está dizendo pra sociedade: 'eu preciso de mais tempo, eu preciso produzir, eu preciso estar mais satisfeito nesse processo'", pontuou o professor.
Apesar do forte apelo emocional da medida, o contador fez um alerta contundente sobre o repasse de custos. Setores como restaurantes, clínicas médicas e o comércio varejista serão diretamente afetados e precisarão reorganizar suas escalas ou investir em tecnologia para cobrir as lacunas deixadas pela redução da jornada. Na prática, isso elevará o custo operacional das empresas. "Objetivamente com números, o próprio trabalhador vai pagar por essa circunstância, porque vai encarecer os preços, há uma tendência de ter uma inflação inevitavelmente, porque o empregador vai ter um valor a mais nesse processo de custo e deve repassar", explicou.
De acordo com os dados apresentados por Barbosa na entrevista, dos cerca de 45 milhões de trabalhadores celetistas no Brasil, aproximadamente 15 milhões estão atualmente inseridos na escala 6x1. Para mitigar os impactos negativos dessa transição, o especialista ressaltou a importância das legislações adjacentes, especialmente para os pequenos negócios. "Existe a possibilidade, após essa aprovação, de lei complementar [...] para que MEI, micro e pequenas empresas tenham algum processo diferenciado a fim de preservar os empregos", afirmou.
O professor concluiu sua análise destacando a necessidade de o governo atuar rapidamente para que a nova realidade não prejudique a economia de forma severa, equilibrando o que chamou de "lado técnico e o lado emocional" da pauta. A expectativa agora, segundo Barbosa, é torcer para que a legislação complementar seja eficaz em proteger as micro e pequenas empresas.
FIM DA ESCALA 6x1
Com o voto de 75 senadores favoráveis e 1 contra, foi aprovada, na noite desta quarta-feira (14), em segundo turno, a PEC 221/2019, que modifica a jornada de trabalho 6x1. Após ter sido aprovada em primeiro turno no início da noite, a matéria foi confirmada de forma definitiva em segundo turno com uma votação praticamente igual em ambos os turnos no Senado Federal.
Confira a entrevista completa:
