Lufthansa compra 44,9% da TAP por cerca de R$ 6,74 bi e assume gestão operacional da companhia
Por Redação
O governo de Portugal confirmou a vitória da alemã Lufthansa na disputa pela aquisição de 44,9% do capital social da TAP Air Portugal. A proposta vencedora soma € 1,201 bilhão (aproximadamente R$ 6,74 bilhões) na fase inicial, superando em 16% o montante apresentado pelo consórcio concorrente Air France-KLM. O modelo do negócio estabelece que o Estado português manterá a maioria do capital da empresa, detendo 50,1% das ações.
Por sua vez, a divisão executiva e a gestão das operações diárias da transportadora ficarão sob o comando da Lufthansa. Com a transação, a avaliação global da empresa aérea atingiu € 2,552 bilhões (cerca de R$ 14,32 bilhões).
Segundo informações do Jornal O Globo, o patamar atual demonstra forte recuperação em comparação ao histórico recente da companhia, cujo valor de mercado chegou a sofrer reduções acentuadas registrados pelo governo português.
A estrutura acionária prevê ainda a reserva preferencial de 5% dos títulos para os funcionários da TAP. Caso os colaboradores optem por não adquirir essa fatia, a participação da Lufthansa poderá ser ampliada.
O planejamento do processo prevê uma segunda fase até o ano de 2028, quando o governo de Portugal poderá converter o capital restante em participação direta na holding do grupo alemão. Esse desdobramento envolve um aporte adicional de € 480 milhões (R$ 2,685 bilhões) e pode transformar o Estado português no segundo maior acionista global da Lufthansa.
A proposta contemplada prevê ainda o investimento direto de € 500 milhões (R$ 2,796 bilhões) em projetos operacionais em Portugal, incluindo:
- Abertura de uma escola para capacitação e formação de pilotos;
- Implantação de um centro focado em inovação;
- Estruturação de um polo de serviços corporativos.
- Importância do mercado brasileiro e manutenção da marca
A relevância da TAP no mercado no Brasil funcionou como divisor de águas na concorrência entre os grupos europeus. As operações brasileiras somam 17 rotas em 15 cidades, respondendo por 30% do faturamento da aérea portuguesa.
O CEO da Deutsche Lufthansa AG, Carsten Spohr, destacou que a operação integra o plano de internacionalização da corporação e consolida a presença do grupo no Atlântico Sul. Em nota oficial, a TAP ratificou que o acordo garante o cumprimento de pontos fundamentais.
"Estamos prosseguindo consistentemente com nossa estratégia de internacionalização e fortalecendo de forma sustentável nossa posição no Atlântico Sul", disse o executivo.
Criada em 1945 e receptora de aportes estatais durante a crise sanitária global, a TAP acumulou prejuízo de € 99 milhões no primeiro semestre, impulsionada pelo encarecimento dos combustíveis. Segundo as autoridades de Portugal, a integração ao quarto maior conglomerado de aviação do planeta assegura os ganhos de escala necessários para a viabilidade do negócio no longo prazo.
A operação de cogestão deve ter início ainda este ano, embora a transferência definitiva dependa da aprovação do órgão antitruste da Comissão Europeia, processo estimado entre 18 e 24 meses. O presidente do Conselho de Administração da TAP, Carlos Oliveira, afirmou que a empresa alcança este estágio após um ciclo de transformações profundas e reafirmou o compromisso da equipe na condução do plano estratégico traçado para o período 2026-2035.
