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VÍDEO: Nobel da Paz, Navi Pillay brinca ao receber prêmio: "Talvez dividiria com Trump"

Por Redação

VÍDEO: Nobel da Paz, Navi Pillay brinca ao receber prêmio: "Talvez dividiria com Trump"
Fotos: Reprodução / Redes Sociais / The White House [A Casa Branca]

Ao fazer sua primeira declaração pública após ser anunciada como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026 nesta sexta-feira (9), a jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay brincou com a reação do público e declarou que, se os aplausos continuassem, "talvez dividiria o prêmio com Trump". Em tom descontraído, a premiada questionou se o anúncio era real: "Como advogada e juíza, ainda quero verificar se tudo isso é verdade", brinca.

 

Confira momento em vídeo:

 

A menção bem-humorada ao presidente dos Estados Unidos ocorre dois dias após Donald Trump declarar, na quarta-feira (7), que merecia receber a honraria por ter impedido uma "destruição total do mundo", citando a atuação de seu governo em conflitos internacionais.

 

Durante seu discurso, Pillay relembrou trabalhos recentes de sua carreira, como o relatório da comissão da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os territórios palestinos ocupados, publicado em 2025, que apontou a ocorrência de genocídio na Faixa de Gaza — conclusão rejeitada pelo governo de Israel.

 

"Acho muito apropriado estar aqui com amigos e colegas, pessoas que apoiam os direitos humanos. A última coisa que fiz foi apresentar o relatório sobre Gaza, no qual afirmamos que o que está acontecendo lá é genocídio. Uma das principais reações a esse trabalho foi o reconhecimento da minha coragem. E vocês podem imaginar o quanto fiquei surpresa. Por que seria preciso coragem para dizer a verdade? Você interpreta a lei, analisa todos os fatos. É uma tomada de decisão imparcial", disse.

 

Aos 85 anos, completados no mês passado, a jurista reforçou que pretende continuar em atividade. "Neste momento, continuo atuando como juíza ad hoc no caso movido pela Gâmbia contra Mianmar. Todo mundo me pergunta quando vou parar, quando vou encerrar meu trabalho. É claro que não posso simplesmente interromper meu trabalho em apoio à Academia dos Princípios de Nuremberg, enquanto ainda tiver condições de contribuir", acrescenta.

 

Nascida em 1941 na província sul-africana de Natal e integrante da comunidade tâmil (de origem indiana), Navi Pillay tornou-se, em 1967, a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia em sua província. Durante o regime do apartheid, atuou na defesa jurídica de ativistas contrários à segregação racial e denunciou casos de tortura e violações de direitos cometidos pelo Estado.

 

Com o fim do apartheid, Pillay projetou-se no cenário internacional. Em 1995, foi nomeada juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda (onde atuou até 2003 e presidiu a corte entre 1999 e 2003), participando de decisões históricas sobre crimes de violência sexual em conflitos armados. Em 2003, passou a integrar o Tribunal Penal Internacional (TPI) e, entre 2008 e 2014, exerceu o cargo de Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

 

Ao anunciar a concessão do prêmio, o Comitê Norueguês do Nobel destacou a contribuição histórica de Pillay para o direito internacional, a promoção da paz, a responsabilização de autoridades e a proteção a vítimas de violência ao longo de sua carreira.