Urnas renovam Senado, derrubam veteranos e impõem derrotas a líderes do Congresso
Por Redação
A eleição realizada neste domingo (4) provocou mudanças importantes na composição do Senado e deixou de fora nomes de destaque da política nacional. Entre os derrotados estão Renan Calheiros (MDB), Ciro Nogueira (PP) e Gleisi Hoffmann (PT). O resultado também representou reveses políticos para aliados dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil).
O PL foi a legenda que mais ampliou sua presença na Casa, elegendo 19 dos 54 senadores escolhidos no pleito. O avanço do partido contrastou com a derrota de lideranças tradicionais de diferentes campos políticos.
Além das vagas no Senado, a eleição afetou projetos políticos apoiados pelos chefes do Congresso em seus estados de origem. Na Paraíba, Nabor Wanderley, pai de Hugo Motta, não conseguiu uma das cadeiras em disputa. No Amapá, o governador Clécio Luís, aliado de Alcolumbre, também foi derrotado na tentativa de permanecer no cargo.
As duas vagas do estado ficaram com Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB). A derrota também representou um revés para a família Calheiros: Renan Filho (MDB) perdeu a disputa pelo governo de Alagoas para JHC (PSDB).
RENAN CALHEIROS DEIXA O SENADO APÓS 32 ANOS
Em Alagoas, Renan Calheiros não conseguiu renovar o mandato após quatro eleições consecutivas para o Senado. Com o resultado, o emedebista deixará a Casa em 2027, depois de 32 anos de atuação como senador.
CIRO NOGUEIRA TAMBÉM FICA FORA
No Piauí, Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL), não conseguiu permanecer no Senado.
O parlamentar foi derrotado por Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD), que conquistaram as duas cadeiras em disputa. Uma das principais lideranças do Centrão, Ciro teve seu nome citado no caso Master, conforme reportagem da CNN Brasil.
BOLSONARISMO AVANÇA EM SANTA CATARINA
Outra liderança tradicional a perder a vaga foi Esperidião Amin (PP), em Santa Catarina. As duas cadeiras do estado ficaram com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL.
Amin possui uma longa trajetória política: foi governador de Santa Catarina por duas vezes, prefeito de Florianópolis em dois mandatos, deputado federal e candidato à Presidência da República em 1994.
A vitória de Carol de Toni e Carlos Bolsonaro fortaleceu o campo ligado ao bolsonarismo no estado e reduziu o espaço de lideranças conservadoras tradicionais. O resultado também contribuiu para o avanço do PL, partido que mais elegeu senadores nesta eleição.
GLEISI HOFFMANN E RANDOFE RODRIGUES SÃO DERROTADOS
No Paraná, Gleisi Hoffmann terminou a disputa em quarto lugar e não conseguiu voltar ao Senado. As vagas ficaram com Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).
Gleisi havia sido eleita senadora em 2010, tornando-se a primeira mulher a representar o Paraná na Casa. Ao longo da carreira, presidiu o PT e ocupou a Casa Civil durante o governo Dilma Rousseff (PT), além de ter comandado o Ministério das Relações Institucionais no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Outro nome de destaque do governo federal que ficou fora do Senado foi Randolfe Rodrigues (PT). Líder do governo no Congresso, ele buscava o terceiro mandato pelo Amapá, mas foi derrotado por Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD).
As derrotas de Gleisi e Randolfe representam perdas para o grupo político ligado à articulação do governo Lula no Congresso Nacional.
ALIADOS DE MOTTA E ALCOLUMBRE TAMBÉM PERDEM
No Amapá, o resultado foi negativo para o grupo político de Davi Alcolumbre. O governador Clécio Luís (União Brasil), aliado do presidente do Senado, não conseguiu a reeleição e foi derrotado por Dr. Furlan (PSD).
Clécio disputou o pleito com uma ampla aliança, que incluía o PT e a federação formada por União Brasil e PP. Mesmo com o apoio partidário, não conseguiu garantir a permanência no comando do estado.
Na Paraíba, Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Hugo Motta, também não conseguiu uma das duas vagas para o Senado. Os eleitos foram João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB).
Os resultados no Amapá e na Paraíba representam derrotas para projetos políticos apoiados pelos presidentes do Senado e da Câmara em seus respectivos estados. Embora Motta e Alcolumbre não estivessem diretamente em disputa, os resultados atingiram aliados e familiares ligados aos dois principais dirigentes do Congresso.
