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Ministro de Israel diz que houve tentativa de ataque terrorista em voo desviado à Arábia Saudita

Por Redação

Ministro de Israel diz que houve tentativa de ataque terrorista em voo desviado à Arábia Saudita
Foto: Reprodução

Autoridades israelenses afirmaram nesta quarta-feira que o incidente envolvendo o piloto e o copiloto de um voo da companhia aérea Flydubai, que fazia a rota Dubai-Tel Aviv com 150 passageiros a bordo e precisou ser desviado para a Arábia Saudita após emitir um sinal de alerta, está sendo investigado como um possível ato terrorista, após relatos de uma disputa pelo controle do avião. Caças das Forças Aéreas israelense e saudita decolaram para a região, por suspeita de que a aeronave tivesse sido sequestrada.

 

O caso ainda está sob investigação e os detalhes estão sendo apurados, mas relatos de passageiros que estavam no voo apontam que o copiloto teria esfaqueado o piloto e tentado assumir o controle da aeronave. Imagens gravadas no interior do voo mostram passageiros e tripulantes tentando estancar o sangramento do comandante, e um suspeito amarrado, também ferido. De acordo com autoridades sauditas no aeroporto de Tabuk, no noroeste saudita, ambos foram socorridos após o pouso.

 

"Houve uma tentativa de sequestro, dominamos os terroristas, precisamos de ajuda" disse em um vídeo gravado dentro da aeronave um passageiro, ainda com sangue no rosto, em vídeo checado pelo jornal israelense Times of Israel.

 

Outra passageira, ouvida pelo Canal 12 de Israel, afirmou que o marido ajudou a "neutralizar o terrorista", detalhando que um membro da tripulação que estava na cabine de comando "tentou derrubar o avião".

 

"Alguém gritou 'esfaqueamento'. Meu marido entendeu imediatamente o que estava acontecendo, correu para a parte da frente do avião e, junto com outros israelenses, neutralizou o terrorista"  disse.

 

A Flydubai confirmou "um incidente" durante o voo comercial entre Dubai e Tel Aviv, que teria como destino final o Aeroporto Internacional Ben Gurion. A aeronave sofreu uma perda brusca de altitude, caindo de 34 mil pés para 16 mil pés — uma queda de cerca de 5,5 mil metros — em aproximadamente dois minutos. Pouco depois, dois sinais de emergência foram transmitidos: primeiro o código 7700, usado para indicar uma emergência geral, e minutos depois o código 7500, que indica "interferência ilegal".

 

As Forças Armadas, o Mossad, o Shin Bet e o Ministério dos Transportes israelense estão envolvidos nas investigações sobre o caso, segundo a imprensa do Estado judeu. A ministra dos Transportes Miri Regev pediu a suspensão de todos os voos da Flydubai para o país, demandando que a autoridade de aviação civil do país investigasse se os Emirados Árabes Unidos estão cumprindo um acordo que estipula que todos os membros da tripulação de voos operados entre os países tenham passaportes de países que mantêm relações diplomáticas com Israel. A exigência veio após uma informação preliminar indicar que o copiloto seria nacional de Omã.

 

Setores do espectro político israelense reagiram de formas distintas ao caso. O ministro da Segurança Interna e líder da extrema direita israelense, Itamar Ben Gvir, chamou os passageiros de "heroicos", e se referiu ao caso no avião como uma justificativa para que Israel elevasse a doutrina de segurança "a um novo patamar", intensificando campanhas militares em toda a região.

 

"Não podemos parar e devemos continuar até alcançar a vitória total no Irã, no Líbano, em Gaza e na Judeia e Samaria [nome bíblico da Cisjordânia" disse Ben Gvir.  A crença ingênua de que nossos inimigos prezam pela vida e merecem clemência recebeu mais uma prova em contrário nesta manhã. O terrorismo é um mal com o qual não se deve fazer acordo algum, a não ser derrotá-lo e eliminá-lo da face da Terra.

 

Parceiro da ala mais extremista do Gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o ministro das Finanças Bezalel Smotrich afirmou que quem tenta derrubar um avião e assassinar 180 israelenses "deve pagar como se os tivesse assassinado". Setores de oposição ao governo reagiram com mais cautela. O ex-general Benny Gantz, líder do partido Azul e Branco, afirmou que ainda era cedo para se conhecer "a sequência dos eventos", em uma declaração nesta manhã", ao mesmo tempo em que elogiou a "agilidade e a coragem" dos passageiros diante do perigo.