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Histórico: Lula vence eleição e conquista quarto mandato como presidente do Brasil

Por Paulo Dourado / Ronne Oliveira

Histórico: Lula vence eleição e conquista quarto mandato como presidente do Brasil
Foto: Reprodução / Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, tornou-se, neste domingo (25), o primeiro presidente da história do Brasil a se eleger democraticamente para um quarto mandato. Foi também a primeira vez, entre as sete vezes em que concorreu à Presidência. Lula venceu pontualmente às 21h08 uma eleição logo no segundo turno com uma virada histórica, nenhum candidato havia perdido o 1.º turno e vencido no segundo.

 

A vitória coroa uma trajetória marcada por altos e baixos desde 2016, ano em que o petista se tornou alvo central da Operação Lava Jato. Na época, ele havia sido alvo de condução coercitiva e teve a nomeação para a Casa Civil do governo Dilma Rousseff suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), semanas antes do impeachment da aliada.

 

Em 2017, Lula perdeu a esposa, Marisa Letícia, e foi condenado pelo então juiz Sérgio Moro no caso do tríplex do Guarujá. Com a pena ampliada para 12 anos e um mês pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), ele se entregou à Polícia Federal em abril de 2018 e passou 580 dias preso na Superintendência da PF em Curitiba.

 

Liderando as pesquisas da época, Lula teve a candidatura barrada pela Lei da Ficha Limpa e viu seu companheiro de partido, Fernando Haddad (PT), perder a eleição presidencial para Jair Bolsonaro (então no PSL). Na prisão, ele ainda enfrentou as mortes do irmão, Vavá, e do neto Arthur, de sete anos, em 2019.

 

A reviravolta começou no mesmo ano, com as reportagens da Vaza Jato, que expuseram diálogos entre o então juiz Sérgio Moro e procuradores responsáveis pelo caso. Em novembro de 2019, Lula deixou a prisão depois de o STF derrubar a possibilidade de execução da pena após condenação em segunda instância. Em 2021, teve as condenações anuladas pelo ministro Edson Fachin, decisão seguida pelo reconhecimento da parcialidade de Moro no processo.

 

Com os direitos políticos restabelecidos, Lula se casou com a socióloga Rosângela da Silva, a Janja, em 2022, e venceu Jair Bolsonaro no segundo turno daquele ano, com 50,9% dos votos válidos, na eleição mais apertada da história do país até então. A posse, em janeiro de 2023, foi marcada pela ausência do tradicional rito de passagem da faixa presidencial, já que Bolsonaro não compareceu à cerimônia, e sucedida pelos ataques de 8 de janeiro às sedes dos Três Poderes.

 

O terceiro mandato foi marcado por oscilações de popularidade, por uma cirurgia de emergência para drenar uma hemorragia intracraniana, em dezembro de 2024, e por embates externos, como o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos em 2025. Naquele ano, Bolsonaro foi condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado.

 

A história de Lula com as urnas presidenciais, porém, não é feita apenas de vitórias. Sua relação com o cargo começou em 1989, na primeira eleição direta para presidente desde 1960. O ex-metalúrgico e fundador do PT chegou ao segundo turno contra Fernando Collor, mas perdeu, com cerca de 47% dos votos válidos, em uma disputa marcada pela polêmica edição do último debate, exibido pela TV Globo.

Nas duas eleições seguintes, a derrota veio já no primeiro turno: em 1994 e em 1998, Lula foi superado por Fernando Henrique Cardoso, impulsionado pela estabilidade econômica do Plano Real. Após três tentativas frustradas, ele passou a ser visto por parte do PT e da imprensa como um candidato com teto eleitoral.

 

A virada ocorreu em 2002, quando o petista moderou o discurso, adotou o slogan “Lulinha paz e amor”, escolheu o empresário José Alencar como vice e divulgou a Carta ao Povo Brasileiro, na qual se comprometeu a respeitar contratos e preservar a estabilidade econômica. Lula venceu o tucano José Serra no segundo turno, com 61% dos votos válidos, e tomou posse em 2003 como o primeiro operário a presidir o país.

 

O primeiro mandato teve a criação do Bolsa Família e o crescimento da economia, mas também foi marcado pelo escândalo do mensalão, em 2005, que derrubou o ministro José Dirceu e abalou a cúpula petista. Ainda assim, Lula foi reeleito em 2006, novamente no segundo turno, contra Geraldo Alckmin.

 

O segundo mandato consolidou a popularidade do presidente, com a descoberta do pré-sal, o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a resposta à crise financeira de 2008 e a escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Lula deixou o cargo em 2010 com aprovação recorde, acima de 80%, e conseguiu eleger sua sucessora, Dilma Rousseff.

 

Fora do Planalto, Lula enfrentou um câncer na laringe em 2011 e seguiu como principal fiador político de Dilma, reeleita em 2014. No mesmo ano, porém, a deflagração da Operação Lava Jato abriu o capítulo que levaria Lula ao centro das investigações a partir de 2016, dando início à montanha-russa política que o acompanharia até a conquista de seu quarto mandato presidencial.