Bruno Reis afirma que Estado paga R$ 1 milhão por dia em "passageiros fantasmas" do metrô e sufoca sistema de ônibus
Por Daniel Araújo
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), criticou o Governo da Bahia ao abordar a crise do transporte público na capital. Em entrevista concedida nesta segunda-feira (28) ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1, o gestor revelou que os cofres estaduais pagam cerca de R$ 1 milhão diários à concessionária CCR Metrô Bahia por "lugares vazios", em decorrência de metas irreais firmadas no contrato de concessão.
Segundo o prefeito, a matemática do prejuízo tem origem no modelo contratual que exige um fluxo de 680 mil passageiros por dia. Atualmente, ainda segundo o gestor, o sistema transporta apenas 430 mil. "O Estado paga diariamente 250 mil passagens para a CCR de passageiros que não são utilizados. Só aí dá R$ 1 milhão", afirmou Reis, estimando que os repasses estaduais à empresa — somando contraprestações de obras e compensações tarifárias — cheguem a R$ 900 milhões anuais.
PRESSÃO PARA CORTE DE LINHAS
De acordo com o chefe do Executivo municipal, para tentar reduzir essa fatura milionária, o Governo do Estado passou a pressionar a Prefeitura para extinguir linhas de ônibus que faziam trajetos longos e diretos. O objetivo seria forçar a integração e empurrar o usuário para as catracas do metrô, na tentativa de bater a meta de passageiros.
Reis citou como exemplo a antiga linha Mussurunga-Barra. "Se eu não fizesse a integração, [o ex-governador] Rui Costa virava meu inimigo", disse. O prefeito classificou como "deslealdade" o fato de a oposição ter utilizado as queixas da população sobre o corte dessas linhas em campanhas eleitorais do PT, omitindo que a supressão das rotas teria ocorrido por pressão estadual.
DIVISÃO TARIFÁRIA DESLEAL
Outro ponto de estrangulamento do sistema de ônibus (sistema sobre pneus) apontado pelo prefeito é a divisão da tarifa de R$ 5,90. Quando o passageiro faz a integração, 61% do valor fica com o metrô. Restam apenas cerca de R$ 2,00 para as concessionárias de ônibus arcarem com altos custos operacionais, como o diesel a R$ 7,20, além de pneus, manutenção e folha de pagamento de motoristas e cobradores.
Rebatendo as críticas sobre a qualidade dos coletivos, Bruno Reis destacou que a Prefeitura assumiu, de forma inédita, o financiamento para a compra da nova frota e que, utilizando inteligência de dados (ferramentas de BI), já determinou o retorno de cerca de 70 linhas diretas para atender à população que não deseja ou tem dificuldades de realizar transbordos constantes.
Confira a entrevista completa:
