Prévia da inflação sobe acima do esperado e chega a 0,70%, pior resultado para um mês de setembro desde 2021
Por Edu Mota, de Brasília
Depois de uma deflação em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou uma subida acentuada de preços, chegando a 0,70% no mês de setembro. O IPCA-15, divulgado nesta sexta-feira (25) pelo IBGE, é o índice que mede a prévia da inflação oficial.
De agosto para setembro, o resultado do IPCA-15 subiu 1,10%, chegando aos atuais 0,70%. A taxa é a maior para meses de setembro em cinco anos, desde 2021 (1,14%).
O resultado do indicador divulgado pelo IBGE surpreendeu analistas do mercado financeiro ao ficar acima das projeções. A alta superou tanto a mediana (0,55%) quanto o teto das estimativas (0,66%) dos analistas e das instituições financeiras.
No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,82% e, em 12 meses, de 4,47%, acima dos 4,24% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em setembro de 2025, o IPCA-15 foi de 0,48%.
Os nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em setembro. A maior variação e o maior impacto positivo vieram de Habitação (2,07% e 0,31 p.p). As demais variações ficaram entre o 0,03% de Educação e o 0,96% de Despesas pessoais.
No grupo Habitação (2,07%), o principal e maior impacto individual no índice do mês (0,29 p.p.), veio da energia elétrica residencial, que, após a queda de 6,25% em agosto, subiu 7,42% em setembro, com o fim da incorporação do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas no mês anterior.
No gás encanado (0,92%), do grupo Habitação, sobressaem os reajustes de 10,21% em Curitiba (5,20%), e 1,80% no Rio de Janeiro (0,92%), ambos a partir de 1° de agosto. O resultado do subitem taxa de água e esgoto (0,03%) decorre do aumento de 3,55% nas tarifas em Salvador (0,46%), a partir de 20 de julho.
No grupo Transportes (0,60% e 0,12 p.p), o resultado foi influenciado pelas passagens aéreas (9,82%). Em relação aos combustíveis (0,22%), gás veicular (1,56%) e gasolina (0,30%) registraram alta na média de preços, enquanto o óleo diesel (-0,78%) e o etanol (-0,22%) apresentaram recuo.
Em Alimentação e Bebidas (0,40%), o subgrupo da alimentação no domicílio registrou variação de 0,38% em setembro, após recuar 0,97% no mês anterior. Contribuíram para esse resultado os aumentos do tomate (20,76%), do arroz (2,39%) e das carnes (1,30%). No lado das quedas, destacam-se o feijão carioca (-6,33%), a cebola (-4,41%) e o café moído (-1,36%).
Na alimentação fora do domicílio (0,44%), a refeição passou de 0,25% em agosto para 0,38% em setembro, enquanto o lanche desacelerou em relação ao mês anterior, de 0,75% para 0,44%.
Quanto aos índices regionais, as onze áreas de abrangência tiveram alta em setembro. A maior variação foi observada em Goiânia (0,95%), e o menor resultado ocorreu em Recife (0,44%).
A cidade de Salvador teve o segundo menor resultado entre todas as capitais pesquisadas, registrando 0,50% em setembro. Apesar de menor do que a média nacional de 0,70%, o índice alcançado pela capital baiana revela que houve um crescimento de preços de 1,21% entre agosto e o mês de setembro.
No trimestre, Salvador teve um IPCA-15 de -0,31%, muito abaixo da média nacional de 0,30%. No acumulado de 12 meses, a capital da Bahia também está melhor do que a média nacional, com 3,93% contra 4,47% medida para todo o país.
