Moradores de Salvador gastam mais de duas horas por dia em deslocamentos
Por Redação
Moradores de Salvador gastam, em média, 2 horas e 5 minutos por dia em deslocamentos, de acordo com a segunda edição da pesquisa Viver nas Cidades: Mobilidade Urbana, realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis (ICS) em parceria com a Ipsos-Ipec. O tempo representa um aumento de três minutos em relação ao levantamento de 2025, quando a média era de 2 horas e 2 minutos.
Divulgado nesta quinta-feira (24), o estudo ouviu 3.500 internautas com 16 anos ou mais em dez capitais brasileiras. No conjunto das cidades pesquisadas, o tempo médio dedicado aos deslocamentos também chegou a 2 horas e 5 minutos, nove minutos acima do registrado no ano anterior.
Entre as capitais avaliadas, Salvador está entre as cidades com maior tempo médio diário gasto no trânsito. A capital baiana fica atrás de Fortaleza (2h18), Rio de Janeiro (2h10), Recife (2h07) e São Paulo (2h07), e aparece empatada com Manaus (2h05).
Na comparação com 2025, Salvador teve aumento de três minutos na média. O mesmo crescimento foi registrado em Porto Alegre. Entre as cidades que apresentaram alta, o maior avanço ocorreu em Fortaleza, com 20 minutos, seguida por Recife, com 17 minutos, e Goiânia, com 15 minutos.
TRANSPORTE COLETIVO
O levantamento aponta que o tempo de deslocamento é ainda maior entre os usuários de transporte coletivo. Nas dez capitais, quem utiliza principalmente esse tipo de transporte permanece, em média, 2 horas e 17 minutos por dia em deslocamentos, 30 minutos a mais do que aqueles que recorrem prioritariamente a meios individuais.
Ônibus, BRT ou Move são os principais meios de transporte mencionados pelos entrevistados, com 35% das respostas. Em seguida aparece o carro particular, com 18%. Carros de aplicativo, metrô e deslocamentos a pé registraram 8% cada.
Considerando os meios de transporte utilizados como principal opção, 54% dos entrevistados recorrem ao transporte coletivo, enquanto 44% utilizam prioritariamente alternativas individuais.
Entre os usuários de ônibus, BRT ou Move, a lotação é apontada como o principal problema, citada por 24% dos participantes. O preço da tarifa aparece em segundo lugar, com 20%, seguido pelas condições dos veículos, com 12%. Segurança, pontualidade e frequência foram mencionadas por 10% dos entrevistados cada.
CUSTO DAS PASSAGENS
O valor das tarifas também é apontado como um fator que limita a realização de atividades cotidianas. Entre os usuários de ônibus, BRT ou Move, 63% afirmam que sempre ou às vezes deixam de visitar familiares ou amigos em outros bairros por causa do preço da passagem.
O custo também interfere no acesso a atividades de lazer, como parques e cinemas, segundo 59% dos entrevistados. O percentual chega a 51% quando consideradas consultas médicas e exames, 44% na procura por emprego e 33% no deslocamento para escolas ou universidades.
O impacto é maior entre pessoas de menor renda e jovens. Entre os entrevistados que recebem até dois salários mínimos, 69% afirmam deixar de visitar amigos ou familiares por causa do custo e 67% reduzem atividades de lazer. Na procura por emprego, o índice chega a 54% entre pessoas de 16 a 24 anos e integrantes das classes D e E.
Em relação à tarifa zero, 25% consideram que a medida poderia trazer benefícios caso fosse acompanhada por melhorias na qualidade e na frequência do transporte. Outros 22% relacionam a gratuidade à ampliação do acesso ao transporte e à redução da exclusão social. Já 16% apontam possíveis efeitos sobre o uso de automóveis, o trânsito e a emissão de poluentes.
INSEGURANÇA E DESLOCAMENTO
A sensação de segurança também aparece entre os principais desafios apontados pela pesquisa. Oitenta por cento dos entrevistados dizem se sentir pouco ou nada seguros ao atravessar ruas, caminhar pelas calçadas ou utilizar passarelas, pontes e viadutos. Entre as mulheres, o percentual sobe para 85%.
O Rio de Janeiro apresentou o maior índice de insegurança, com 87%, seguido por Belém e Fortaleza, ambas com 83%. Goiânia teve o menor percentual entre as capitais pesquisadas, embora 62% dos entrevistados ainda tenham relatado sensação de pouca ou nenhuma segurança.
Em Manaus e Porto Alegre, a percepção de insegurança caiu oito pontos percentuais na comparação com 2025. No conjunto das dez capitais, entretanto, o indicador permaneceu estável.
A pesquisa foi realizada entre 1º e 20 de julho de 2026, por meio de entrevistas online com moradores de Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Goiânia. Foram considerados participantes das classes ABCDE, residentes nas cidades havia pelo menos dois anos.
O levantamento utilizou cotas de sexo, idade, classe social e ocupação. O estudo tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais para o total da amostra. Nos recortes por capital, a margem varia entre quatro e seis pontos percentuais, de acordo com o número de entrevistas realizadas em cada localidade.
