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Flávio Bolsonaro ingressa no STF e acusa Lula de corrupção por suposto uísque enviado a ele por Vorcaro

Por Edu Mota, de Brasília

Lula e Flávio Bolsonaro, candidatos a presidente
Foto: Montagem com fotos Agência Brasil e Agência Senado

A equipe jurídica do candidato Flávio Bolsonaro (PL) ingressou com uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (23), com a acusação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria cometido “corrupção passiva e advocacia administrativa”, após a divulgação de mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o advogado Walfrido Warde. A petição foi encaminhada ao ministro André Mendonça. 

 

O documento da campanha de Flávio Bolsonaro menciona mensagens extraídas pela Polícia Feeral do celular do dono do Banco Master, em que o advogado cita supostos presentes de Vorcaro ao presidente Lula. Para os advogados do senador, os diálogos, divulgados pelo jornal O Globo, mostram que o governo teria atuado no sentido de atender a interesses particulares do banqueiro.

 

“Querido, estive com o PR [Presidente da República] hoje. Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o whisky e mandou um abraço. Outros detalhes eu conto pessoalmente”, escreveu o advogado Warde a Vorcaro em 22 de janeiro do ano passado. O ex-banqueiro respondeu com um emoji de coração.

 

No documento, a defesa do presidenciável do PL solicita que o caso seja encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e que seja instaurado um inquérito para apurar condutas que, segundo a peça, podem configurar, em tese, os crimes de corrupção passiva e advocacia administrativa.

 

“Vieram a público, em 22.09.26, por intermédio de reportagens veiculadas pelo jornal O Globo, diálogos extraídos pela Polícia Federal do aparelho celular de Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, nos quais o advogado Dr. Walfrido Warde, à época defensor de Vorcaro, relata ao seu cliente sucessivas ações destinadas a aproximá-lo do Presidente Lula e de autoridades do Governo Federal, bem como destinadas a obter tratamento favorável aos interesses do Banco Master junto ao Governo Federal”, diz a notícia-crime, endereçada ao ministro André Mendonça.

 

Em nota enviada divulgada ainda nesta quarta, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República afirmou que o presidente Lula não recebeu presente de Vorcaro, desconhece a suposta articulação de Walfrido Warde e não teve outros contatos com o ex-banqueiro além de um encontro em dezembro de 2024.

 

Segundo o governo, na ocasião, o presidente orientou que eventuais denúncias fossem analisadas tecnicamente pelo Banco Central.

 

“O presidente não tem conhecimento da suposta articulação, não recebeu presente e tampouco enviou recado ou comentou festas promovidas pelo banqueiro. Cabe lembrar ainda que foi durante o atual governo que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master e Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre a instituição”, diz a nota da Secom.

 

Na petição, os advogados de Flávio Bolsonaro sustentam que o suposto recebimento do presente pode configurar vantagem indevida e pedem que se apure se houve contrapartida por parte de Lula. Também apontam suspeita de que o presidente tenha usado o cargo para favorecer interesses privados de Vorcaro e do Banco Master junto ao governo federal.