BRICS defende reforma da ONU, pagamentos em moedas locais e fortalecimento do Banco do bloco
Por Bahia Notícias, da Índia
A Declaração de Nova Délhi, divulgada durante a 18ª Cúpula do BRICS, realizada neste sábado (12) e domingo (13), na Índia, defende mudanças na governança mundial, maior participação dos países em desenvolvimento nas decisões internacionais e o fortalecimento da cooperação econômica entre os integrantes do bloco.
O documento possui 140 pontos e foi elaborado sob o tema “Construindo para Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”. Entre as prioridades estão a reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), inclusive do Conselho de Segurança, e mudanças no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial.
China e Rússia reiteraram apoio para que Brasil e Índia desempenhem um papel mais relevante na ONU, incluindo o Conselho de Segurança. O BRICS também defendeu maior representação de países da África, Ásia, América Latina e Caribe nos organismos multilaterais.
Na área econômica, os líderes criticaram medidas protecionistas, tarifas unilaterais e sanções impostas sem autorização do Conselho de Segurança da ONU. A declaração também propõe o fortalecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a recuperação de seu sistema de solução de controvérsias.
Um dos principais pontos é o avanço dos estudos para a criação de sistemas de pagamentos internacionais mais rápidos, baratos e seguros. O grupo incentiva a utilização das moedas locais dos países membros nas transações comerciais e nos investimentos, mas não anunciou a criação de uma moeda única do BRICS.
O documento reforça ainda o papel do Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco do BRICS e presidido pela ex-presidente brasileira Dilma Rousseff. A instituição deverá ampliar os financiamentos em moedas locais e apoiar projetos de infraestrutura, integração econômica, redução das desigualdades e desenvolvimento sustentável.
Na área internacional, o BRICS manifestou preocupação com o crescimento dos conflitos e dos gastos militares. O grupo defendeu soluções diplomáticas, a manutenção do cessar-fogo e a garantia de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Também reafirmou apoio à criação de um Estado palestino nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como capital.
A declaração inclui compromissos relacionados à inteligência artificial, segurança digital, saúde, agricultura, mudanças climáticas, educação, turismo e apoio às pequenas e médias empresas. Entre as iniciativas estão os estudos para uma Bolsa de Grãos do BRICS, programas de prevenção de epidemias e a cooperação em infraestrutura digital, computação quântica e segurança cibernética.
Na agenda ambiental, os países reafirmaram o Acordo de Paris e cobraram das nações desenvolvidas mais recursos para financiar ações climáticas nos países em desenvolvimento. O texto também reconhece os resultados da COP30, realizada sob a presidência brasileira.
A convite do governo da Índia, o Bahia Notícias acompanha a programação do BRICS diretamente de Nova Délhi. A China assumirá a presidência do bloco em 2027 e sediará a 19ª Cúpula do grupo.
