Com cestas básicas como única ajuda em 7 meses, moradores de Paripe se reúnem no CAB para cobrar auxílio emergencial
Por Daniel Araújo / Ronne Oliveira
Moradores e lideranças do bairro de São Tomé de Paripe reuniram-se nesta quarta-feira (2), no auditório do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador. As lideranças comunitárias criticaram o fato de que, ao longo dos sete meses desde que a Prefeitura de Salvador declarou situação de emergência, as únicas medidas concretas adotadas pelo poder público tenham sido entregues pontuais de suprimentos alimentares.
Para o líder comunitário Jocival Davi, que atua na interlocução com os órgãos públicos, já foram distribuídas até o momento 500 cestas básicas pela Prefeitura de Salvador (em meados de abril), 2.000 cestas pelo governo do Estado da Bahia (por meio do programa Bahia Sem Fome) e 800 cestas pelo Ministério da Pesca e Aquicultura.
As lideranças ressaltam que a doação de alimentos não resolve a crise vivenciada pelos trabalhadores locais, como pescadores, marisqueiros e comerciantes. "A cesta básica até ajuda algumas pessoas, mas como vai sustentar as pessoas mensalmente com apenas uma cesta básica?", questiona Jocival Davi.
O esparado é uma Reunião Ampliada com o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA). O encontro serve par debater as diretrizes e a operacionalização da ajuda humanitária à população atingida por uma contaminação ambiental na região.
"Tudo o que nós precisamos é ter o nosso lazer e o ganha-pão desse povo de volta. O que a nossa comunidade pede é que o nosso bairro volte à normalidade e que descontaminem a nossa praia", pontuou, ressaltando ainda que a contaminação permanece ativa no entorno do Terminal Marítimo TMG e que a operadora do local tem se esquivado das responsabilidades.
PROPOSTA E TAC
O foco principal da audiência no CAB foi a discussão de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) em elaboração junto à Justiça Federal e à empresa Gerdau. A proposta prevê o pagamento de um auxílio emergencial no valor de R$ 1.000 mensais por família atingida, durante o período de um ano.
A reunião contou com a presença de moradores, pescadores, marisqueiros e comerciantes de São Tomé de Paripe, que compareceram ao auditório na condição de ouvintes para acompanhar os termos do acordo e apresentar suas reivindicações antes da formalização do documento. O local do evento havia sido alterado previamente da sede da Procuradoria da República para o auditório do TRE-BA.
