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Setor da construção civil na Bahia divulga carta aberta ao Senado sobre fim da escala 6x1

Por Redação

Setor da construção civil na Bahia divulga carta aberta ao Senado sobre fim da escala 6x1
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Representantes do setor imobiliário e da construção civil do estado publicaram, nesta terça-feira (1), uma carta aberta direcionada aos senadores baianos Ângelo Coronel (REPUBLICANOS), Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD). O documento faz um alerta sobre os impactos socioeconômicos de uma possível aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe a extinção da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.

 

Assinada de forma conjunta pelos presidentes do SINDUSCON-BA (Eduardo Freire Bastos), da ADEMI-BA (Cláudio Cunha) e do CRECI-BA (Nilson Araújo), a carta expressa "profunda preocupação quanto às propostas em tramitação nesta Casa, que visam à abolição sumária da escala de trabalho 6x1 e redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas". Embora as entidades reiterem o compromisso com a saúde e o bem-estar do trabalhador brasileiro, elas argumentam que "uma alteração estrutural dessa magnitude, sem amparo no aumento prévio da produtividade, trará consequências severas e imediatas para a economia do País".

 

Segundo o manifesto, a imposição de uma redução na jornada de trabalho sem a adequação salarial correspondente representa um choque direto nos custos operacionais das empresas. Entre os efeitos imediatos listados, o setor destaca o aumento na folha de pagamento e uma consequente pressão inflacionária. As entidades alertam que as empresas serão forçadas a repassar esses custos para os consumidores, "gerando uma nova onda inflacionária que penalizará principalmente as famílias de menor renda".

 

A carta também aponta para o risco de precarização e demissões em massa, especialmente entre as micro e pequenas empresas, que poderão encerrar seus negócios ou migrar para a informalidade por não possuírem capacidade de "atrair novos trabalhadores em um mercado escasso".

 

Outro ponto polêmico levantado pelo documento questiona o principal benefício defendido pela proposta: o lazer e convívio familiar. Para os representantes da construção civil, não haverá descanso efetivo, pois "o trabalhador será obrigado a complementar sua renda fazendo bicos, em trabalhos informais, acarretando maior risco de acidentes e na prática o aumento do custo será maior que a redução do tempo, o que implica em redução do poder de compra".

 

Por fim, os empresários rogam por responsabilidade técnica e fazem um alerta político direto aos senadores sobre os riscos de pautar a decisão no período eleitoral. A carta adverte que uma aprovação apressada "colocará tudo isso na conta dos políticos que aprovarem essa PEC, pois o povo se voltará contra quando verificarem que efetivamente foram enganados". O setor pede que seja promovido um debate amplo, preservando a sustentabilidade empresarial e a estabilidade do mercado de trabalho.