VÍDEO: Estudantes da UFRJ espancam aluno de história com camiseta associada ao nazismo
Por Redação
Um estudante do curso de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) envolveu-se em uma confusão e teria sido agredido no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) após comparecer a uma aula usando uma camiseta com uma caveira associada à polícia nazista, além de portar um broche com a logo antinazista.
Veja o momento da briga:
A peça apresentava a estampa de uma caveira (Totenkopf), símbolo associado à banda britânica "Death in June", conhecida por utilizar elementos visuais, nomes e uniformes militares vinculados ao Terceiro Reich. No Reino Unido, o grupo é considerado controverso, embora seus integrantes se declarem antifascistas e neguem qualquer ligação ao neonazismo.
Em entrevistas à imprensa, o líder e fundador da banda, Douglas Pierce, afirma que a utilização desses símbolos tem caráter exclusivamente estético, decorrente de um “interesse histórico”, e não deve ser interpretada de forma literal. Ou seja, a usa os símbolos como artifício provocativo e da cultura punk (movimento que prega a ideia de expressão com autonomia pessoal).
Distintivo de boné "SS-Totenkopf" (1934 a 1945). | Foto: Reprodução / Redes / Museu Militar do Estado de Nova York
De fato, a Totenkopf foi utilizada pela SS, organização paramilitar do regime nazista que atuou durante a Segunda Guerra Mundial. Na gola da jaqueta, o estudante portava ainda um button com uma suástica sobreposta pelo símbolo de proibição.
Conforme relatos e gravações divulgados nas redes sociais, um aluno afirmou ter dado voz de prisão ao colega por suposta apologia ao nazismo. A confusão teria começado nas escadas do prédio do IFCS, enquanto o estudante era conduzido para fora do local com o objetivo de acionar uma viatura policial.
Segundo relato do aluno que tentou efetuar a retenção ao jornal O Globo, a agressão física partiu do próprio jovem que vestia a camiseta. “Ele me deu uma cotovelada, pegou meu cabelo e me puxou para o chão. Nisso, os colegas já se intrometeram e fizeram uma pressão nele para que ele me soltasse. Depois disso, o pessoal foi batendo, batendo; aconteceu muita coisa de ruim, infelizmente. Não conseguimos conduzi-lo, ele saiu correndo”, alega.
TROCA DE AGRESSÕES
Uma testemunha, colega em seu curso de História, sob condição de anonimato, confirmou que o jovem teria iniciado as agressões físicas. De acordo com ela, o rapaz tentou argumentar inicialmente que a estampa fazia referência a uma banda, mas passou a debochar das pessoas ao seu redor à medida que a aglomeração aumentava. Ainda segundo o relato, ele agrediu uma pessoa ao deixar o prédio.
A estudante afirmou também que circulam na internet imagens de propaganda neonazista supostamente atribuídas ao aluno. Sua identidade completa, contudo, permanece desconhecida, sendo divulgado apenas o primeiro nome.
Outra testemunha, aluna de Ciências Sociais, relatou que o jovem trocou de roupa no banheiro antes de se dirigir à sala de aula. Ao ser abordado por integrantes do movimento estudantil e pela equipe de segurança, ele teria passado a rir, fazer declarações desconexas e ofender um aluno de Direito.
Em vídeo, um grupo de estudantes conduz o jovem para fora da sala em meio a discussões. Em seguida, as imagens registram um confronto nas escadas e, posteriormente, o rapaz correndo do lado de fora do edifício enquanto era perseguido por outros alunos, o que resultou em uma nova briga.
Entrada de campus na saída para a avenida Brigadeiro Trompowsky. | Foto: Divulgação / Prefeitura Universitária da UFRJ
O centro acadêmico do IFCS informou estar em contato com a direção da unidade para formalizar uma denúncia sobre o caso. Conforme relatos de estudantes, o jovem já havia sido alvo de denúncias anteriores, incluindo acusações de assédio e de ameaça com arma de fogo contra uma ex-namorada.
Procurada, a direção do IFCS declarou ter tomado conhecimento dos fatos e informou que está apurando o caso em conjunto com o Instituto de História. Em nota oficial, a instituição afirmou: “Reiteramos, desde já, nosso absoluto repúdio a qualquer forma de violência, discriminação ou manifestação de caráter nazista, bem como nosso firme compromisso com a defesa dos direitos humanos, da democracia e da dignidade",
A UFRJ também divulgou nota sobre o episódio. Confira:
