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Em Salvador, ministro do Empreendedorismo destaca potencial da economia criativa e defende integração de políticas públicas

Por Mauricio Leiro / Rebeca Menezes / Daniel Araújo

Em Salvador, ministro do Empreendedorismo destaca potencial da economia criativa e defende integração de políticas públicas
Foto: Daniel Araújo / Antena 1 Salvador

Nesta quinta-feira (27), o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Rodrigues Pereira, ressaltou o impacto da economia criativa e a necessidade de estruturar o setor no país. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, o ministro fez um balanço sobre a relação entre cultura e negócios, reconhecendo que o Brasil tardou a transformar seu potencial em força econômica.

 

Para o ministro, a riqueza cultural do país ainda tem muito a ser explorada como motor de desenvolvimento. “O Brasil demorou para fazer políticas para entender que essa grande qualidade artística do nosso povo, um povo criativo, preparado intelectualmente e artisticamente, culturalmente muito rico, poderia significar renda, emprego, geração de uma indústria cultural ou criativa”, afirmou. Ele citou exemplos internacionais, como os Estados Unidos, que lucram fortemente com indústrias bilionárias de cinema e games.

 

O ministro também alertou para os desafios impostos pela digitalização, como a perda de mão de obra qualificada nacional para o mercado externo. Segundo Pereira, profissionais brasileiros têm prestado serviços para outros países em regime de home office, o que desfalca as empresas locais. “Você trabalha aqui de Salvador para uma empresa de games canadense, ganha em dólar, mas as empresas brasileiras não conseguem esse talento. Então, nós temos que abrir o olho para isso”, alertou.

 

VOCAÇÕES REGIONAIS

Ao apontar soluções e próximos passos, o titular da pasta elencou que o "grande desafio" é garantir que a indústria cultural se aproprie da riqueza que produz. “É a gente conseguir agregar valor, permitir que essa indústria cultural tenha mecanismos para que ela se empodere mais dos ganhos e do valor que ela gera na cadeia”, explicou.

 

Pereira elogiou o cenário baiano — apontando que o estado "está um pouco à frente" — e destacou que o Ministério montou um mapa da economia criativa para guiar ações futuras. A meta, segundo ele, é entender as vocações de cada região e integrá-las a outras áreas. “O mais difícil de tudo (...) é articular políticas para que a gente consiga casar isso com o turismo, casar isso com a educação”, frisou.

 

ACORDO COM A UNIÃO EUROPEIA

Durante a entrevista, o ministro também celebrou a recente conclusão do acordo comercial com a União Europeia, que abre as portas de um mercado consumidor gigantesco para a cultura e a arte brasileiras. No entanto, reconheceu que a desburocratização é urgente. “Temos lá um mercado muito propício à arte brasileira, mas exportar é uma chatice, é difícil, é burocrático, então nós vamos ter que nos preparar para isso”, ponderou.

 

Por fim, o ministro resumiu a estratégia de sua pasta para fortalecer os empreendedores culturais no Brasil em três etapas: “Os passos são de compreender as vocações (...), depois pensar como é que a gente articula as políticas públicas para essas vocações e, depois, dar o ganho de produtividade, de agregação de valor para que essas indústrias possam florescer ainda mais”.