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VÍDEO: Em encontro com prefeitos, Rui Costa mira candidatura de Coronel, revela proposta de pacificação e bastidores de diálogo com Lula

Por Maurício Leiro / Victor Hernandes

VÍDEO: Em encontro com prefeitos, Rui Costa mira candidatura de Coronel, revela proposta de pacificação e bastidores de diálogo com Lula
Foto: Bahia Notícias

O ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT) colocou o senador Angelo Coronel (Republicanos) como alvo de menções, críticas e acusações durante o encontro com prefeitos realizado na última quarta-feira (19), em Salvador. Um vídeo obtido pelo Bahia Notícias na manhã desta sexta-feira (21) mostra o discurso do petista e os bastidores do encontro, que reuniu gestores de diferentes cidades do estado. 

No evento, Rui revelou detalhes das negociações mediadas pelo seu correligionário, o senador Jaques Wagner (PT), para tentar pacificar a situação de Coronel dentro da base governista. Na época, havia uma indefinição sobre quem seriam os dois candidatos ao Senado Federal pelo grupo, já que Coronel, então filiado ao PSD, exercia mandato e tinha a possibilidade de concorrer à reeleição.

 

Porém, o ex-aliado disputava as duas vagas com o próprio Rui e com o também senador Jaques Wagner. No vídeo, o ex-governador da Bahia detalha como a negociação foi conduzida. Segundo ele, houve uma proposta discutida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para abrir espaço para Wagner em um ministério do Governo Federal, permitindo que Coronel ou seu filho, o deputado federal Diego Coronel, assumisse o mandato de senador.

 

“Um belo dia, estava almoçando com o Lula e ele perguntou: ‘Como é que está essa vaga na Bahia do Senado? Já pacificou lá?’. Eu disse: ‘Não, presidente. Hoje à noite eu marquei com o filho dele [Coronel] para conversar, para ver se a gente resolve as coisas’. Aí Lula, com a intuição dele, disse: ‘Rui, você falou que Wagner ofereceu mais quatro anos? Ofereça mais quatro. Eu boto Wagner no ministério e ele exerce o mandato para pacificar lá. A Bahia é importante, vamos pacificar’”, revelou Costa durante o encontro com os prefeitos.

 

O ex-governador contou que, mesmo com a proposta, não recebeu retorno da família Coronel.

 

“Eu fui jantar com o filho dele e disse a ele: ‘Ô, Diego, essa proposta vale para seu pai e vale para você. Exercer o mandato durante oito anos. Você é um menino jovem, você pode pular, sair de um dos 39 deputados e ir para a fila da frente, ir para a janela. Ou seja, estar como senador da República nessa idade que você tem, ou seu pai, se for o caso’”, relatou o ex-gestor.

 

“Ele disse: ‘Rui, é isso mesmo?’. Eu disse: ‘É isso mesmo. E o Lula deu a garantia. Eu digo: ele te atende hoje, amanhã, no dia que você quiser’. Aí ele: ‘Vou falar com meu pai e te retorno’. Até hoje eu espero o retorno”, completou o ex-chefe da Casa Civil.

 

Ainda em suas declarações, Rui apontou seu descontentamento com o antigo aliado. Ele afirmou que Coronel teria sido eleito senador com o apoio decisivo dele e de Otto Alencar, mas que, posteriormente, afastou-se do grupo, aproximou-se da oposição e “agiu de forma individualista”.

 

“Ele, logo que tomou posse, antes de chegar ao Senado, já deu uma quina de canhão para Otto, um canto de carroceria. E já está escapando de Otto desde a largada. Depois de tomar posse, afastou-se completamente de mim, que era governador e que fui decisivo na eleição dele. Afastou-se completamente, fez vida própria, abraçou Bolsonaro e ficou lá com as coisas de Bolsonaro.”

 

“E, mesmo assim, a gente fazendo de conta que não está vendo nada, eu fazendo de conta que não estava vendo nada para não criar confusão. Chega na campanha de Otto, de 2022, o cara que elegeu ele; o outro é presidente do partido. Otto botaria quem quisesse para ser senador em 2018, porque a indicação era de Otto. A vaga não era dele, a vaga era do PSD. Quem Otto escolhesse seria o candidato a senador.”

 

Ele disse ainda que o antigo aliado deixou de fazer campanha para Otto Alencar nas eleições de 2022, pedindo votos apenas para os próprios filhos no interior.

 

“Então, alguém devia ser grato. Eu, na minha vida, minha mãe me disse uma coisa: nunca perca a humildade e a gratidão às pessoas. Porque quem nasce nesse lugar que a gente nasceu, nasce na favela, viveu na favela, você nunca vai subir os degraus da vida sem a ajuda dos outros. E a coisa mais feia num ser humano é a ingratidão. Eu acho. A coisa mais feia do ser humano é a ingratidão”, observou.

 

“O cidadão, em vez de ser grato a esse aqui, ele nunca seria senador da República pelos próprios votos ou pelas próprias pernas”, afirmou. 

 

VOTO EM TRÂNSITO
Também durante o encontro, Rui tratou com os aliados sobre o funcionamento do cadastro para o voto em trânsito de eleitores que estão fora de seus municípios de origem. Ele destacou que, na Bahia, há 13 municípios com mais de 100 mil eleitores onde essa modalidade é permitida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), possibilitando que pessoas que estejam em cidades como Salvador ou São Paulo votem sem precisar viajar para seus municípios de origem. Ele pediu que os prefeitos fiquem atentos a essas questões.

 

“Em uma cidade com mais de 100 mil eleitores, [os eleitores] não precisam viajar para o município de vocês para votar. Então, um eleitor de Valença que esteja morando em Salvador, que esteja morando em São Paulo, se ele se cadastrar até amanhã no site do TSE, ele pode votar aqui em Salvador ou em São Paulo, como se estivesse em Valença.”

 

“Então, na Bahia, tem 13 municípios acima de 100 mil eleitores. Em qualquer um desses municípios, a pessoa pode se cadastrar e votar, mesmo que esteja fora do estado. Só que ele só pode votar em um município acima de 100 mil eleitores; municípios abaixo de 100 mil eleitores, o TSE não abre a possibilidade de a pessoa ir lá e votar.”

 

Ele ressaltou que a medida evita que prefeitos e lideranças precisem custear passagens ou transporte, como ônibus, para que eleitores votem em seus municípios de origem.

 

“Mas o eleitor do seu município, de 10 mil habitantes, que mora em São Paulo, ele pode votar lá. Votar na chapa completa. Aquele eleitor para quem, na eleição municipal, você teve que mandar o ônibus para buscar ou pagar a passagem, ele não precisa gastar o dinheiro com a passagem nem mandar o ônibus. Basta se cadastrar até amanhã no site do TSE que ele vota lá de São Paulo.”