Em mea culpa, Wagner admite erro ao preterir Lídice da Mata na disputa ao Senado em 2018
Por Daniel Araújo
O senador Jaques Wagner (PT) utilizou a inauguração do comitê eleitoral da deputada federal e candidata à reeleição Lídice da Mata (PSB), nesta quarta-feira (20), para fazer um reconhecimento histórico e um afago público à aliada. Em seu discurso, Wagner classificou como um "erro de condução" a decisão do grupo governista baiano de rifar Lídice da chapa majoritária nas eleições de 2018, quando a vaga ao Senado que ela ocupava foi repassada a Angelo Coronel à época no PSD.
Na época, a articulação liderada pela cúpula governista na Bahia precisou acomodar o PSD do senador Otto Alencar e entregou a segunda vaga ao Senado na chapa de Rui Costa (PT) para Angelo Coronel, então presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Lídice, que buscava a reeleição para o Senado, acabou tendo que disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Em sua fala, Wagner não apenas admitiu o equívoco, como também alfinetou a postura política de quem acabou ocupando o espaço na chapa. "Foi nossa senadora, aliás, a primeira e única até agora senadora. Na minha opinião, e ela sabe disso, por um erro de condução, o grupo não a manteve como senadora, o que deveria ter mantido. E não sei se Deus ou as linhas da política acabaram nos esfregando na cara que o equívoco de 2018 trouxe um processo pra cá: alguém que traiu o grupo e foi para o lado de lá", declarou Wagner, referindo-se a Coronel, que em 2026 aderiu ao grupo de oposição.
EXALTAÇÃO À HISTÓRIA DE LÍDICE
Além da retratação sobre 2018, o senador petista fez questão de exaltar a trajetória de Lídice da Mata, relembrando o período em que ela foi prefeita de Salvador (1993-1996) e a forte oposição que enfrentou do grupo carlista, que à época detinha a hegemonia política no estado.
Wagner lembrou que Lídice chegou ao cargo "por decisão da maioria do povo de Salvador", e não por decreto, e destacou a "crueldade" dos adversários da época, que tentaram asfixiar sua gestão. "A intolerância, o preconceito, o ódio plantado dos que governavam a Bahia, com um chicote numa mão e dinheiro na outra, tentaram interditar o exercício do mandato (...) Mas não adiantou, as marcas de Lídice ficaram no coração e na mente de muitos soteropolitanos", afirmou.
Para coroar a demonstração de prestígio da candidata do PSB, Wagner revelou que a inauguração do espaço de Lídice foi o primeiro comitê de campanha a contar com sua presença física nesta eleição. "Quero confessar pra você, Lídice (...) que esse aqui é o primeiro comitê de lançamento de candidatura que eu participo pessoalmente. Agora a fila vai crescer e eu vou ter que me virar", brincou o senador, reafirmando o peso da deputada dentro da base aliada.
