Relatório da PF diz “não é cabível apontar” crime de jornalista investigado a pedido de Moraes
Por Redação
Um relatório da Polícia Federal (PF), divulgado pela CNN nesta quarta-feira (19), concluiu não haver indícios de crime de violação de sigilo funcional cometidos pelo jornalista maranhense Luís Pablo. O documento também aponta que não é possível afirmar "com máxima certeza" que o profissional tenha recebido valores financeiros para publicar matérias desfavoráveis ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A apuração sobre a fonte do jornalista foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após o magistrado enxergar indícios de que reportagens teriam sido pagas para atuar contra Dino, levantando hipóteses de perseguição. O jornalista nega integralmente as acusações.
De acordo com o documento revelado pela CNN, os investigadores identificaram uma transferência de R$ 100 mil para Luís Pablo (com repasse via conta de terceiros), quantia posteriormente utilizada no pagamento de um imóvel rural avaliado em R$ 461 mil. No entanto, a própria PF pondera que a análise atual não permite atrelar o valor à produção de conteúdo jornalístico.
"Reafirma-se que através do que fora analisado, não é cabível apontar com máxima certeza que a quantia em comento se trata de pagamento destinado a matérias jornalísticas ou recebimento ligado a assuntos desse teor", cita trecho do relatório divulgado pela CNN.
Diante das lacunas sobre a real motivação do depósito, a Polícia Federal sinalizou a necessidade de ampliar a análise dos dados e mídias apreendidas.
Ainda no documento, a PF nega o argumento de perseguição levantado na decisão judicial e reforça as garantias da profissão. "Não se trata de acusar o jornalista do cometimento de tal crime, já que o mesmo, em tese, está acobertado pelo direito à liberdade de imprensa, amplamente reconhecido em nossos tribunais", aponta o relatório.
A investigação teve início após matérias de Luís Pablo denunciarem o suposto uso irregular de veículos oficiais por familiares de Flávio Dino no Maranhão. Quanto a esse ponto, a Polícia Federal explicou que a consulta e o repasse não autorizados de dados sigilosos por parte de servidores poderiam caracterizar violação de sigilo funcional.
Em desdobramento revelado também pela CNN na semana passada, Moraes autorizou mandados de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão, e Diogo Diniz Lima, advogado e ex-secretário municipal de São Luís. Ambos são apontados pela PF como possíveis fontes do jornalista.
