Segundo bloco do debate da Band tem embate acirrado entre Neto e Jerônimo sobre saúde, obras, segurança pública e Lula
Por Paulo Dourado
O segundo bloco do debate da Band ao Governo da Bahia, neste domingo (9), foi o mais tenso da noite, com perguntas dos jornalistas e confrontos diretos que elevaram o tom entre ACM Neto (União Brasil), Jerônimo Rodrigues (PT) e Ronaldo Mansur (PSOL). Segurança pública, saúde, meio ambiente e a relação dos candidatos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dominaram as trocas.
Na etapa das perguntas dos jornalistas, Jerônimo e ACM Neto foram questionados sobre segurança pública. A Mansur, coube responder sobre a estrutura da Secretaria de Segurança e o histórico crítico do PSOL em relação à atuação policial; o candidato defendeu a valorização dos profissionais das forças de segurança. Jerônimo, ao responder, citou Neto e criticou o uso de inteligência artificial na elaboração do plano de governo do adversário. Neto, por sua vez, negou que tenha usado IA para escrever o programa.
Outro ponto quente foi o Planserv, o plano de saúde dos servidores estaduais. Questionado sobre uma possível privatização, ACM Neto disse que não pretende privatizar o serviço, mas afirmou que, se for preciso, pagaria consultas na rede privada para evitar que pessoas morram à espera de atendimento. Mansur rebateu, afirmando que Neto acabaria privatizando o Planserv, e fez críticas às gestões do grupo político do adversário, incluindo uma referência ao período do ex-senador Antônio Carlos Magalhães, avô de Neto.
No meio ambiente, Mansur perguntou a Jerônimo se ele assinaria um decreto de proteção à Serra da Chapadinha, que, segundo o candidato do PSOL, estaria sob risco. O governador respondeu que a proposta está na Procuradoria-Geral do Estado e garantiu que a unidade de conservação da área será criada. Mansur ainda aproveitou para criticar o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), na área ambiental.
A relação com Lula foi outro foco de embate. Mansur questionou ACM Neto sobre a associação de seu nome ao do presidente na campanha, e o ex-prefeito respondeu que quer o melhor para a Bahia. O candidato do PSOL fez então uma acusação dura, atribuindo ao grupo político de Neto responsabilidade por mortes durante a pandemia de covid-19. Neto classificou a colocação como um absurdo, relembrou casos de baianos mortos em filas de espera por atendimento e afirmou que a paciência da população com Jerônimo teria acabado.
O confronto mais acirrado veio na última rodada, entre Neto e Jerônimo. Neto cobrou o governador sobre um buraco na BR-324, afirmando que Jerônimo teria dito que a cratera estava tapada, e perguntou se aquilo teria sido mentira ou desinformação. Jerônimo respondeu criticando a forma como Neto trata os adversários, repetiu que o rival é "anti-Lula" e afirmou já ter sido alvo de tratamento desrespeitoso por ser indígena e negro. Neto retomou o tema da BR-324, disse que teria sido colocada apenas uma lona sobre o buraco e acusou o governador de se colocar como vítima, citando ainda a ponte Salvador-Itaparica, que, segundo ele, não teve obras iniciadas. Na tréplica, Jerônimo destacou a parceria com Lula e disse que Neto não fazia as mesmas críticas nos governos Temer e Bolsonaro, classificando o adversário de negacionista ao lembrar de obras como o metrô e o VLT.
