Com maior fortuna entre candidatos a deputado federal da Bahia, Uldurico Pinto declara patrimônio de R$ 142,7 milhões
Por Mauricio Leiro / Ronne Oliveira
O ex-deputado federal constituinte Uldurico Alves Pinto (Rede) lidera o volume de bens declarados entre os concorrentes a uma vaga na Câmara dos Deputados pela Bahia nesta disputa eleitoral de 2026. Segundo dados extraídos nesta quinta-feira (6) do sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o total de bens informados pelo candidato soma R$ 142,78 milhões.
Com a nova candidatura pela Federação PSOL-Rede, o postulante declarou ao TSE que é branco, natural de Medeiros Neto, no extremo sul da Bahia, e exerce a profissão de médico. Entre os bens declarados, o destaque é uma área rural de 180 hectares em Belmonte, avaliada em R$ 141,07 milhões, responsável pela maior parte do patrimônio informado.
CONFIRA OS BENS
Entre os itens descritos na declaração entregue à Justiça Eleitoral, figuram imóveis rurais de expressivo valor, participações societárias e veículos:
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Área de 180 hectares em Belmonte, na Costa do Descobrimento: R$ 141.075.000,00
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Área de 180 hectares em Medeiros Neto, no Extremo Sul da Bahia: R$ 900.000,00
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Ações societárias da Rádio Caraípe (Teixeira de Freitas - BA): R$ 450.000,00
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Outra área de 180 hectares em Belmonte: R$ 270.000,00
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5% de participação na Cerâmica Drº Pint Tinon (Maranhão): R$ 80.000,00
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Uma motocicleta: R$ 6.000,00
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Telefone celular (iPhone 11): R$ 2.000,00
Uldurico Alves Pinto é pai do ex-deputado federal Uldurico Alencar Pinto, conhecido como Uldurico Júnior, que foi preso preventivamente, investigado por suspeita de envolvimento em um esquema para facilitar a fuga de detentos do Conjunto Penal de Eunápolis.
Foto: Reprodução / Câmara dos Deputados / Redes sociais
Em pronunciamentos públicos e petições oficiais, o médico se manifestou sobre a prisão do filho, transferido para o Conjunto Penal Masculino em Salvador. Uldurico formalizou solicitações ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e a autoridades estaduais, pedindo transferência e medidas urgentes para garantir a segurança e a integridade física e mental do ex-parlamentar.
TRAJETÓRIA PÚBLICA
Não é a primeira candidatura do político. O Bahia Notícias consultou os acervos do Centro de Pesquisa e Documentação do Jornal do Brasil (CpDocJB), do Arquivo do Senado Federal e do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getulio Vargas (CPDOC/FGV).
Formado em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde estudou entre 1972 e 1977, Uldurico iniciou sua atuação política no movimento estudantil, como vice-presidente do Diretório Acadêmico Alfredo Balena.
Sua primeira disputa eleitoral ocorreu em 1982, quando concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás pelo PMDB, sem sucesso. No ano seguinte, ocupou a diretoria científica da Fundação Cardiológica de Goiás antes de retornar à Bahia e se estabelecer em Teixeira de Freitas.
Em 1986, foi eleito deputado federal constituinte pelo PMDB com apoio de agricultores, cacauicultores e sindicatos de trabalhadores. Durante os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte (1987-1988), exerceu a função de segundo-vice-presidente da Subcomissão dos Direitos Políticos, dos Direitos Coletivos e Garantias e integrou, como suplente, a Comissão de Sistematização.
Registros e menções em jornais antigos | Fotos: reprodução / Jornal do Brasil via BN Digital e Senado Federal
Em diversas passagens jornalísticas, o parlamentar aparece em pautas ligadas à esquerda política na história do Brasil. Nas votações da Carta Magna, tomou posição contra a pena de morte, o presidencialismo, o mandato de cinco anos para o então presidente José Sarney e a legalização do jogo do bicho.
Por outro lado, votou a favor de pautas como o aborto, o rompimento de relações diplomáticas com países que adotavam políticas de discriminação racial, a limitação do direito de propriedade privada, o mandado de segurança coletivo, a jornada semanal de 40 horas, o turno ininterrupto de seis horas, o aviso prévio proporcional, o voto aos 16 anos, o limite de 12% ao ano para os juros reais, a criação do fundo de apoio à reforma agrária e a desapropriação da propriedade produtiva.
Ao longo da carreira legislativa, migrou do PMDB para o PSB em 1990, legenda pela qual foi reeleito deputado federal. Também teve influência na eleição de seus irmãos Adalberto Alves Pinto, Francistônio Alves Pinto e José Ubaldino Alves Pinto para as prefeituras de Medeiros Neto, Teixeira de Freitas e Porto Seguro.
Entre 1991 e 1995, votou favoravelmente à abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, à criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), do Fundo Social de Emergência (FSE) e à extinção do voto obrigatório.
Após deixar a Câmara, em 1995, assumiu a Secretaria de Saúde de Porto Seguro em 1997. Posteriormente, filiou-se ao PMN, retornando à Câmara dos Deputados entre 2007 e 2011, período em que chegou à liderança da legenda. Em 2009, ingressou no PHS e disputou as eleições de 2010, quando obteve mais de 40 mil votos e ficou na suplência.
Também denunciou violências políticas contra ativistas e parlamentares que defendiam o direito à terra. Em um dos episódios de maior repercussão de sua trajetória, chegou a fazer greve de fome em protesto contra uma suposta perseguição política no âmbito de uma CPI.
