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Presidente da CNI critica corte de apenas 0,25% na taxa de juros e diz que decisão segue asfixiando a população

Por Edu Mota, de Brasília

Ricardo Alban em evento
Foto: Edu Mota / Brasília

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, criticou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de promover corte de 0,25% na taxa básica de juros. A decisão, tomada na noite desta quarta-feira (5), rebaixou a Selic para o patamar de 14% ao ano. 

 

Para Ricardo Alban, os juros altos agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias. 

 

“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, afirmou o presidente da CNI, em comunicado à imprensa. 

 

A CNI destaca que os juros estão em patamar restritivo no país há 55 meses. A taxa Selic, segundo a entidade, está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor — estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia. 

 

A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação. 

 

Outra crítica feita pelo presidente da CNI diz respeito ao elevado nível de juros no crédito livre, que encarece o refinanciamento das dívidas familiares. “O resultado é o endividamento em patamar crítico e o comprometimento da renda, reduzindo recursos para consumo essencial e ampliando o risco de superendividamento. O Desenrola 2.0 trata, sobretudo, o sintoma, sem atacar causas estruturais, como a baixa educação financeira e o elevado nível das taxas de juros”, afirma o comunicado assinado por Ricardo Alban.