Banco Central promove novo corte de 0,25% na taxa de juros, que cai para patamar de 14% ao ano
Por Edu Mota, de Brasília
Como já era esperado pela quase totalidade das instituições financeiras do país, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir em 0,25% a taxa básica de juros da economia. Com a decisão, a taxa Selic caiu para o patamar de 14%.
Esse foi o quarto corte seguido na taxa de juros. A Selic, que iniciou 2026 em 15% ao ano, sofreu quatro cortes de 0,25% desde a reunião do Copom em 18 de março, chegando agora ao patamar de 14%. Esse índice é o mais baixo na Selic desde março de 2025.
A desaceleração da inflação deu força para a decisão de um novo corte dos juros. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) de julho, que mede a prévia da inflação oficial, subiu apenas 0,06%, vindo abaixo do esperado.
No comunicado à imprensa após a decisão, os membros do Copom afirmam que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. O Banco Central afirma que esse cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
“Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião sugere uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta”, afirma o comunicado do Copom.
Sobre movimentos futuros da taxa Selic, o comunicado do Copom afirma que em decorrência da “dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços”, o BC reafirma que mudanças na taxa serão estabelecidas à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.
“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmam os membros do Comitê que votaram pela redução de 0,25%.
Os analistas do mercado projetam que se a inflação seguir recuando e a atividade doméstica traga apresentar sinais maiores de desaceleração, o Copom poderá estender o ciclo de corte para as reuniões seguintes, em setembro e novembro. O mercado também acredita que cortes mais expressivos poderão acontecer apenas em 2027, caso haja um avanço nas reformas fiscais, para que as contas públicas voltem a uma trajetória de maior estabilidade.
