Jerônimo banca permanência de secretário investigado e minimiza polêmica sobre contratos com o Banco Master
Por Daniel Araújo
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, defendeu a manutenção do secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, em seu cargo. A declaração foi dada durante sabatina na TV Aratu, após ser questionado sobre os desdobramentos das investigações recentes que citam o auxiliar do governo estadual.
Durante o painel, o jornalista João Pedro Pitombo, da Folha de S.Paulo, confrontou Jerônimo sobre a postura do Executivo baiano. O repórter relembrou que o presidente Lula afastou o senador Jaques Wagner da liderança do governo no Senado assim que ele foi alvo da mesma operação, e questionou se não seria mais prudente afastar Sodré para que ele pudesse se defender.
Jerônimo descartou a hipótese e bancou a permanência do secretário, baseando-se na presunção de inocência. "Conversei com o secretário. Ele foi citado, não tem nada judicializado que o impeça de poder praticar a sua profissão enquanto um agente nosso do desenvolvimento e fortalecimento do meio ambiente", justificou o governador.
Avaliando não haver motivos para afastamento imediato, Jerônimo preferiu adotar cautela em relação ao futuro de Sodré. "Portanto, eu estou ainda dentro do campo da ética. Ele não foi julgado, está respondendo às questões exigidas pela Justiça. Aguardemos para ver o que pode acontecer", concluiu.
CONTRATOS COM O BANCO MASTER
Antes de abordar a situação do secretário, a sabatina tocou nas investigações envolvendo o Banco Master e a demora do governo estadual em revisar ou romper os contratos do "crédito Cesta" — um cartão de benefícios com denúncias de taxas de juros acima do mercado e suposta exclusividade na gestão estadual.
O governador negou que o banco detenha exclusividade atualmente e afirmou que o Estado está debruçado sobre o tema junto à Procuradoria Geral do Estado (PGE) para definir os próximos passos. Ele reforçou que o Executivo baiano está agindo estritamente dentro da lei e das orientações judiciais. "A Justiça não determinou em momento algum que nós fizéssemos isso [o rompimento]. O que nós estamos fazendo é cumprir. Não é repasse público, é repasse do consignado, dinheiro do servidor", explicou. Jerônimo garantiu ainda que o governo tem colaborado de forma transparente: "Constantemente a Justiça ou a Polícia Federal pede documento, a gente encaminha. Tenho muita tranquilidade no nosso campo de governo sobre o que estamos fazendo de 2023 em diante".
