EUA planejam enviar funcionários para questionar eleições brasileiras, diz jornal
Por Redação
O governo dos Estados Unidos planeja enviar dois altos funcionários do Departamento de Estado a Brasília com a missão de questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro. A operação foi revelada pelo jornal The Washington Post nesta sexta-feira (24), com base em relatos de autoridades americanas que falaram sob condição de anonimato.
Conforme apurado pelo The Washington Post e repercutido pelo G1, a viagem está prevista para ocorrer poucas semanas antes das eleições presidenciais brasileiras, marcadas para 4 de outubro. A delegação será composta por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado.
Samson é conhecido por percorrer países promovendo a pauta conservadora e cultivando laços com grupos de direita. A declaração ocorre dias após o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), ter feito ataques à integridade técnica das urnas eletrônicas durante um evento na presença de diplomatas.
Na ocasião, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic e que um relatório da CIA mostra que a empresa estaria envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012.
A correlação estabelecida por Flávio foi desmentida em diversas notas técnicas do Tribunal Superior Eleitoral.
TENSÕES DIPLOMÁTICAS
O envio dos emissários representa um agravamento nas relações entre os dois países. The Washington Post aponta que o clima de atrito já envolve divergências em ao menos três frentes: o processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado; tarifas comerciais impostas pelos EUA a produtos brasileiros; e desentendimentos sobre os limites da liberdade de expressão.
A iniciativa também evidencia uma mudança no comportamento da diplomacia norte-americana. A postura contrasta com o papel exercido pelos EUA nas eleições brasileiras de 2022. Naquele período, o governo americano atuou para reforçar a estabilidade democrática e frear discursos golpistas, respaldando relatórios de inteligência que atestavam a ausência de fraudes no sistema de votação.
