Flávio Bolsonaro enfrenta pressões em duas frentes: impasse em aliança com Republicanos e polêmica sobre notas fiscais
Por Redação
O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atravessa um momento decisivo em sua campanha, lidando simultaneamente com o risco de isolamento político e a necessidade de se defender de polêmicas financeiras. Enquanto esbarra em duras negociações com o partido Republicanos para garantir tempo de TV e palanques estaduais, o parlamentar precisou ir a público justificar a emissão de notas fiscais milionárias de seu escritório de advocacia para empresas ligadas a um banqueiro investigado.
IMPASSE COM O REPUBLICANOS
A campanha de Flávio corre o risco de ficar isolada, o que o deixaria com menos tempo de televisão do que seu principal adversário, Lula (PT). Para evitar esse cenário, o PL busca o apoio do Republicanos, presidido pelo deputado federal Marcos Pereira. No entanto, Pereira condicionou a aliança nacional a um acordo nos estados de Mato Grosso e Roraima, governados pelo Republicanos, mas que atualmente enfrentam adversários do PL.
O Republicanos tem priorizado a eleição de seus oito pré-candidatos a governos estaduais e ameaça adotar a neutralidade na disputa presidencial (o apoio a Lula já está descartado). A sigla tem cacife eleitoral alto:
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São Paulo: Tarcísio de Freitas é favorito à reeleição. Segundo Pereira, "Tarcísio hoje ajuda mais o Flávio do que o Flávio ao Tarcísio".
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Minas Gerais: O partido aposta no senador Cleitinho, bem posicionado nas pesquisas, e avalia que Flávio também depende mais dele no estado do que o inverso.
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A vice-presidência: A economista Daniella Marques, cotada para ser vice na chapa de Flávio, é filiada ao Republicanos, o que aumenta o peso da legenda nas negociações.
Pereira, que já apresentou pesquisas internas apontando o crescimento de Lula, negocia diretamente com o senador Rogério Marinho (PL-RN). A expectativa é que um acordo seja selado até as convenções partidárias no início de agosto (dia 1º em SP, com a presença de Flávio, e dia 4 no âmbito nacional).
NOTAS FISCAIS E CASO MASTER
Enquanto tenta costurar sua base política, Flávio precisou se defender, em vídeo publicado nas redes sociais na última quarta-feira (22/7), sobre a emissão de notas fiscais por seu escritório de advocacia para empresas ligadas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Documentos revelaram que, em abril de 2025, o escritório de Flávio emitiu duas notas de R$ 500 mil cada para a Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., uma empresa de fachada suspeita de ser usada por Vorcaro para movimentar R$ 58 milhões. Essas duas notas foram canceladas logo em seguida. No entanto, dois dias depois, uma terceira nota, também de R$ 500 mil, foi emitida para a Contábil Correa e não foi cancelada.
O senador negou irregularidades e classificou a relação como estritamente profissional: "Eu fiz um trabalho para uma empresa, fui contratado para isso, prestei serviços advocatícios. Tudo certo. Relação completamente legal e privada. [...] Eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen. [...] [Então] cancelei duas notas fiscais", afirmou Flávio, criticando a imprensa por tentar "marginalizar a advocacia".
As duas empresas envolvidas estão intimamente ligadas: o contador Rogério Lourenço Novo é dono da Contábil Correa e atua como único diretor da Copenhagen, além de conselheiro em outra empresa da rede de Vorcaro. A Copenhagen, criada em novembro de 2024 com capital de apenas R$ 40, pertence a um fundo gerido pela Trustee DTVM, investigada pela Polícia Federal por ocultação de patrimônio do grupo do banqueiro.
As notas fiscais reforçam as conexões entre o presidenciável e o dono do Banco Master, que já havia financiado, anteriormente, um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.
