"Imatura": Eduardo Bolsonaro critica Michelle por expor conflitos familiares
Por Redação
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) chamou de "imatura" a decisão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de divulgar um vídeo com críticas ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao portal Metrópoles nesta terça-feira (21), Eduardo afirmou que a madrasta "jamais" deveria ter tornado público o conflito e defendeu que divergências familiares sejam resolvidas internamente.
“Essas disputas internas infelizmente vieram a público. Acho que demonstra até uma imaturidade. Foi uma imaturidade da Michelle. Ela jamais poderia ter feito aquele vídeo. Esses assuntos eu não vou mais comentar para não dar pano pra manga. É internamente que a gente resolve esse tipo de coisa.”, disse.
No vídeo publicado há cerca de um mês, Michelle disse ter sido maltratada pelo enteado mais velho. Ao expor publicamente uma disputa interna do bolsonarismo, provocou desgaste para a pré-campanha presidencial do senador.
A crise teve início durante as negociações em torno da candidatura do PL ao Senado no Ceará. Michelle defendia a vereadora Priscila Costa (PL-CE), uma de suas principais aliadas e vice-presidente nacional do PL Mulher, enquanto Flávio conduziu as articulações que resultaram no apoio do partido à candidatura de Alcides Fernandes (PL-CE), pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE).
Inconformada com o desfecho das negociações, Michelle publicou um vídeo acusando aliados de Flávio de trabalharem para retirar Priscila da disputa e questionou diretamente a condução política do enteado.
Dias depois, a ex-primeira-dama anunciou sua saída da presidência do PL Mulher. Embora justificando a decisão pela necessidade de dedicar mais tempo ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar, e à filha Laura, aliados dos dois lados reconhecem que a crise acelerou seu afastamento do comando do segmento feminino do partido e aprofundou o racha dentro do bolsonarismo.
Na entrevista, Eduardo também buscou minimizar os impactos políticos do episódio sobre a candidatura presidencial de Flávio. Segundo ele, a principal oscilação enfrentada pelo senador ocorreu em razão do caso envolvendo o filme Dark Horse e o banqueiro Daniel Vorcaro, e não por causa do embate com Michelle.
“O Flávio já se recupera daquela oscilação que ele teve para baixo com relação ao Dark Horse, não com relação à Michelle. E eu acho que vamos chegar com cada vez mais gente apoiando o Flávio.”, afirmou.
O deputado também declarou que a candidatura do irmão vem atraindo legendas de centro e disse acreditar que o campo da direita chegará mais unido à disputa eleitoral, embora tanto a federação União-PP e o Republicanos, principais legendas do centro, não tenham embarcado na candidatura: “Acho que todo mundo tem esperança que essa eleição seja mais à direita. Inclusive os partidos de centro têm se aproximado de Flávio Bolsonaro”.
As declarações de Eduardo ocorrem em meio aos esforços do PL para reduzir a temperatura da crise. Depois da crise, o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, fez um apelo público por unidade ao afirmar que a direita precisa "se entender melhor" para vencer as eleições e pediu "paciência" aos aliados diante das divergências internas.
Também nos últimos dias, a campanha de Flávio passou a orientar o senador a evitar referências públicas ao conflito. Em agenda realizada no Ceará, estado onde teve início o racha, aliados recomendaram que o presidenciável concentrasse seus discursos em temas como segurança pública, economia e propostas voltadas ao eleitorado feminino, deixando a disputa com Michelle fora dos holofotes.
