Casar na igreja de São Francisco pode ficar mais acessível após restauração em Salvador; entenda
Por Victor Hernandes
Famosa por ser a “igreja de ouro” e um dos templos turísticos do Centro de Salvador, a Igreja e Convento de São Francisco era um dos lugares mais requisitados da cidade para a realização de casamentos e eventos. Fechada há mais de um ano após parte do teto desabar, o local passará por restauração em toda sua estrutura para reabrir as portas e voltar a realizar missas, celebrações eucarísticas, eventos religiosos e casamentos.
Nesta terça-feira (21), a Ordem Franciscana apresentou o planejamento inicial para as reformas de restauração e reestruturação do templo religioso. Com projeção de reabertura para 2029, a igreja pode retornar com uma novidade muito esperada entre casais baianos: a abertura para realização de casamentos de uma forma mais acessível.
Ao Bahia Notícias, o vigário da igreja, Frei Lorrane Clementino, revelou que casórios, celebrações, eventos e outras iniciativas podem voltar a ser realizados de uma forma mais democrática após a restauração completa do local.
"É importante dizer que vamos rever os casamentos também. A gente vai repensar isso para que as pessoas também possam ter acesso. Casar em uma igreja belíssima como essa", contou.
O religioso ainda apontou a possibilidade de transformar parte das mais de 100 celas do convento (atualmente ocupado por apenas 5 freis) em uma hospedaria para visitantes no centro de Salvador.
"Hoje somos cinco freis então tem mais de 100 celas, que a gente chama de quartos. E aí pode ser utilizada uma parte para hospedaria. Isso para que as pessoas que vêm a Salvador se hospedem aqui no coração desta cidade, que é o Convento de São Francisco”, afirmou.
O local ainda pode permitir a visitação de áreas anteriormente restritas, como a parte superior do imóvel e a biblioteca histórica, além de transformar um salão existente em um espaço para debates, eventos e recepção de estudantes, com foco em educação patrimonial.
"A gente quer que as pessoas possam ter acesso à parte de cima para conhecerem uma biblioteca histórica. Queremos também ter um espaço para debates dentro. Temos um salão que queremos transformar num espaço onde possamos receber estudantes e receber para trabalhar essa questão de educação patrimonial”, comentou.
Outra novidade é a possível instalação de uma cafeteria na igreja. "Queremos também, possivelmente, colocar uma cafeteria. Ser um espaço, de fato, cultural, onde as pessoas possam vir e fazer uma experiência conosco”, observou.
REABERTURA DA IGREJA
A Ordem Franciscana apresentou nesta terça-feira (21), o planejamento inicial para as reformas de restauração e reestruturação do teto da Igreja de São Francisco de Assis, conhecida como a Igreja de Ouro, no Centro Histórico de Salvador. No evento realizado no Convento de São Francisco, o Frei Lorrane Clementino, vigário da Igreja de São Francisco, projeta que a reabertura do edifício deve ocorrer até 2029.
O processo de restauro é aguardado há mais de um ano, quando, em 5 de fevereiro de 2025, o teto da Igreja de São Francisco de Assis desabou durante a visitação de um grupo de admiradores e turistas. Na ocasião, uma jovem de 26 anos, Giulia Righetto, faleceu no local. Em fevereiro deste ano, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) garantiu que seriam direcionados R$ 20 milhões em recursos do Novo PAC para a iniciar o restauro efetivo da igreja.
“A primeira etapa vai ser iniciada com esses R$ 20 milhões, só que o projeto, e é importante vocês saberem, custa em torno de R$ 61 milhões, o projeto de restauração da primeira etapa. E só temos, através do Novo PAC, um montante de R$ 20 milhões, ou seja, demos um valor alto à entidade para crescer e a previsão de reabertura da igreja, se tiver dinheiro, é em 2029”, explica o representante da entidade católica.
Já em abril, a Superintendência do Iphan na Bahia formalizou a contratação da empresa responsável pelo processo de restauro da Igreja e do Convento, com acordo fechado em mais de R$ 2 milhões.
Ele explica que a previsão de entrega da obra depende justamente da arrecadação do montante de R$ 40 milhões do orçamento. Com a igreja fechada para passeios, visitas e eventos, a única maneira de obter o recurso é por meio de doações.
“Então, só vamos conseguir reabrir a igreja em 2029, se tiver dinheiro para poder concluir a obra de restauração. Por isso que a gente iniciou também essa campanha, para que a gente consiga essa mobilização da sociedade e também recursos, doações diretas, para que a gente possa acelerar o processo”, aponta o Frei Lorrane.
Segundo o vigário do espaço sagrado, “assim como ela foi construída com o envolvimento da sociedade, este é o momento também da gente se unir em prol desta causa”. “A gente pode até, inclusive, se tiver dinheiro, abrir com mais antecedência, mas, para isso, a gente precisa desse envolvimento da sociedade”, sintetiza.
O frei destaca ainda que a igreja “não recebeu R$ 1” dos recursos do PAC, pois a verba foi disponibilizada ao Iphan, que deve ser a entidade responsável pela aplicação da verba na obra. “Esse dinheiro vai para o Iphan e o Iphan executa. Não temos nenhum vínculo nesse sentido, porque o Iphan é o responsável e é ele que faz essa administração desses R$ 20 milhões para a recuperação”, explica.
O representante religioso disse ainda que dos R$ 20 milhões de recursos já obtidos pelo ente federal, já foram retirados R$ 4 milhões para fazer os projetos, que atualmente seguem em fase de aprovação.
“E os projetos, pela complexidade deste espaço, foram divididos em três etapas. A primeira etapa corresponde à Igreja, à Portaria, à Sacristia e à Biblioteca Histórica e à Via Sacra. Então, essa é a primeira etapa. Já foi feito todo o projeto pelo Iphan, que agora está aguardando os processos licitatórios, para que ele seja iniciado ainda este ano nas obras”, explica.
Frei Lorrane diz ainda que “a segunda etapa corresponde ao Claustro e à Sala do Capítulo e a parte de cima das setas e a última etapa, a terceira etapa, é o Convento, essa parte onde nós estamos, que não há previsão de projeto e nem de execução”, finaliza.

Foto: Divulgação Arquidiocese de Salvador
