Ordem Franciscana projeta reabertura da igreja de São Francisco para 2029 e pede apoio para arrecadação de R$40 milhões
Por Victor Hernandes / Eduarda Pinto
A Ordem Franciscana apresentou nesta terça-feira (21), o planejamento inicial para as reformas de restauração e reestruturação do teto da Igreja de São Francisco de Assis, conhecida como a Igreja de Ouro, no Centro Histórico de Salvador. No evento realizado no Convento de São Francisco, o Frei Lorrane Clementino, vigário da Igreja de São Francisco, projeta que a reabertura do edifício deve ocorrer até 2029.
O processo de restauro é aguardado há mais de um ano, quando, em 5 de fevereiro de 2025, o teto da Igreja de São Francisco de Assis desabou durante a visitação de um grupo de admiradores e turistas. Na ocasião, uma jovem de 26 anos, Giulia Righetto, faleceu no local. Em fevereiro deste ano, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) garantiu que seriam direcionados R$20 milhões em recursos do Novo PAC para a iniciar o restauro efetivo da igreja.
“A primeira etapa vai ser iniciada com esses R$20 milhões, só que o projeto, e é importante vocês saberem, custa em torno de R$61 milhões, o projeto de restauração da primeira etapa. E só temos, através do Novo PAC, um montante de R$20 milhões, ou seja, demos um valor alto à entidade para crescer e a previsão de reabertura da igreja, se tiver dinheiro, é em 2029”, explica o representante da entidade católica.

Foto: Reprodução / Redes sociais / @saofranciscobahia
Já em abril, a Superintendência do Iphan na Bahia formalizou a contratação da empresa responsável pelo processo de restauro da Igreja e do Convento, com acordo fechado em mais de R$2 milhões.
Ele explica que a previsão de entrega da obra depende justamente da arrecadação do montante de R$40 milhões do orçamento. Com a igreja fechada para passeios, visitas e eventos, a única maneira de obter o recurso é por meio de doações.
“Então, só vamos conseguir reabrir a igreja em 2029, se tiver dinheiro para poder concluir a obra de restauração. Por isso que a gente iniciou também essa campanha, para que a gente consiga essa mobilização da sociedade e também recursos, doações diretas, para que a gente possa acelerar o processo”, aponta o Frei Lorrane.
Segundo o vigário do espaço sagrado, “assim como ela foi construída com o envolvimento da sociedade, este é o momento também da gente se unir em prol desta causa”. “A gente pode até, inclusive, se tiver dinheiro, abrir com mais antecedência, mas, para isso, a gente precisa desse envolvimento da sociedade”, sintetiza.
O frei destaca ainda que a igreja “não recebeu R$1” dos recursos do PAC, pois a verba foi disponibilizada ao Iphan, que deve ser a entidade responsável pela aplicação da verba na obra. “Esse dinheiro vai para o Iphan e o Iphan executa. Não temos nenhum vínculo nesse sentido, porque o Iphan é o responsável e é ele que faz essa administração desses R$20 milhões para a recuperação”, explica.
O representante religioso disse ainda que dos R$ 20 milhões de recursos já obtidos pelo ente federal, já foram retirados R$4 milhões para fazer os projetos, que atualmente seguem em fase de aprovação.
“E os projetos, pela complexidade deste espaço, foram divididos em três etapas. A primeira etapa corresponde à Igreja, à Portaria, à Sacristia e à Biblioteca Histórica e à Via Sacra. Então, essa é a primeira etapa. Já foi feito todo o projeto pelo Iphan, que agora está aguardando os processos licitatórios, para que ele seja iniciado ainda este ano nas obras”, explica.
Frei Lorrane diz ainda que “a segunda etapa corresponde ao Claustro e à Sala do Capítulo e a parte de cima das setas e a última etapa, a terceira etapa, é o Convento, essa parte onde nós estamos, que não há previsão de projeto e nem de execução”, finaliza.
