Empresas investigadas pelo MP por fraude na prefeitura de Salvador têm mais de R$ 11 mi em contratos com governo da Bahia
Por Daniel Araújo / Lucas Vieira
As empresas LN Distribuidora e Comércio Ltda, G3 Polaris Serviços Ltda, MP2 Construções Eireli e Podium Distribuidora Ltda, investigadas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) na operação que apura um suposto esquema de fraudes envolvendo contratos da Prefeitura de Salvador, também mantiveram contratos com o Governo da Bahia.
O levantamento realizado pelo Bahia Notícias com base em registros oficiais de pagamentos aponta que, juntas, as quatro companhias receberam R$ 11.023.318,93 da administração estadual entre 2023 e 2026. A empresa com maior volume de recursos é a LN Distribuidora e Comércio Ltda, que acumula R$ 5.265.843,34 em pagamentos.
Os principais repasses foram feitos pelo Fundo Estadual de Saúde, responsável pela maior parte dos contratos, além da Defensoria Pública do Estado, que realizou pagamentos de maior valor individual, como R$ 65.961,48, em dezembro de 2023, e R$ 38.078,27, em março do mesmo ano. Os registros abrangem o período entre janeiro de 2023 e junho de 2026.
Na sequência aparece a G3 Polaris Serviços Ltda, que recebeu R$ 2.352.114,56. Os maiores contratos foram firmados com a Secretaria da Administração (Saeb), incluindo pagamentos de R$ 304.256,49, em setembro de 2025, R$ 189.127,97, em março de 2026, e R$ 183.108,36, em novembro de 2025. A empresa também prestou serviços para a Polícia Civil da Bahia, vinculada à Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA).
A Podium Distribuidora Ltda aparece com R$ 1.737.364,82 em recursos recebidos do Estado. Os contratos estão distribuídos entre diversos órgãos, como Gabinete do Governador, Secretaria da Educação, Secretaria da Saúde, Tribunal de Contas do Estado (TCE), Defensoria Pública, Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e outras secretarias estaduais, com pagamentos recorrentes entre 2023 e 2024.
Já a MP2 Construções Eireli soma R$ 1.667.996,21, com todos os pagamentos concentrados na Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur). Entre os maiores valores estão R$ 262.223,24, em março de 2025, e R$ 216.493,27, em agosto de 2024.
As contratações estaduais, no entanto, não fazem parte da investigação da operação que levou ao afastamento do então secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, Luciano Sandes, e do vereador George, o Gordinho da Favela. Até o momento, a apuração do Ministério Público está restrita aos contratos firmados no âmbito da administração municipal da capital baiana.
CONTRATOS COM MUNICÍPIOS
A revelação amplia o alcance das empresas investigadas pelo MP-BA. Como mostrou o BN, além dos contratos com a Prefeitura de Salvador, as companhias também mantiveram vínculos com 34 municípios baianos entre 2018 e 2026.
