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Presidente da Abeso alerta para riscos de canetas paraguaias e diz que efeitos podem ser imprevisíveis

Por Victor Hernandes / Lucas Vieira

Presidente da Abeso alerta para riscos de canetas paraguaias e diz que efeitos podem ser imprevisíveis
Reprodução/Instagram @fabiotrujilho

O presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), o endocrinologista Fábio Trujilho, fez um alerta sobre os riscos do uso de canetas emagrecedoras comercializadas no Paraguai e afirmou que, sem estudos que comprovem a bioequivalência dos produtos, os efeitos no organismo permanecem desconhecidos e podem provocar complicações graves. A declaração foi dada em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, nesta sexta-feira (10).

 

O posicionamento ocorre após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclarecer que é falsa a informação de que análises laboratoriais comprovaram a equivalência entre medicamentos vendidos no Paraguai e aqueles registrados no Brasil. Segundo Trujilho, identificar a presença do mesmo princípio ativo não significa que os produtos tenham o mesmo desempenho clínico.

 

"O fato de você ter a mesma substância não quer dizer que ela vai exercer o mesmo efeito do medicamento. É preciso avaliar fatores como bioequivalência, grau de pureza, estabilidade e comportamento da substância no organismo", explicou.

 

O endocrinologista destacou que, sem essas avaliações, não há garantias sobre a qualidade do produto nem sobre possíveis alterações na composição ao longo do armazenamento e transporte. De acordo com o médico, que também atua no Hospital da Obesidade, mudanças na estrutura molecular podem desencadear desde reações alérgicas até danos mais severos aos pacientes.

 

Outro ponto levantado pelo especialista é a falta de controle sobre a procedência dessas canetas, que não possuem autorização para comercialização no Brasil. Segundo ele, as condições de transporte, como exposição a temperaturas inadequadas, também podem comprometer a eficácia e a segurança do medicamento.

 

Trujilho afirmou ainda que muitos usuários recorrem aos produtos por automedicação, sem acompanhamento profissional. Para ele, essa prática aumenta os riscos, já que a obesidade é uma doença que exige diagnóstico, indicação terapêutica e monitoramento médico. "O paciente pode até perder peso, mas isso não significa que esteja tratando a obesidade de forma adequada. Além disso, existem riscos de contaminação, impurezas e efeitos adversos que podem, inclusive, levar à morte", alertou.

 

Outro ponto reforçado é que medicamentos para obesidade e diabetes devem ser utilizados apenas com prescrição médica e adquiridos em estabelecimentos autorizados. A recomendação das sociedades médicas é evitar produtos sem registro na Anvisa, cuja composição, qualidade e eficácia não tenham sido comprovadas por estudos científicos e pela fiscalização dos órgãos reguladores.