Estudantes da Ufba encontram "band-aid" em bandeja do Restaurante Universitário de Ondina, em Salvador
Por Ronne Oliveira
Um estudante da Universidade Federal da Bahia (Ufba) encontrou um curativo adesivo (band-aid) em uma das bandejas de refeição servidas no Restaurante Universitário (RU) do campus de Ondina, em Salvador, na última terça-feira (7). O caso foi registrado pelo estudante de Estatística, gerou indignação e cobranças por esclarecimentos da universidade e da empresa responsável pela operação do restaurante.
O material foi encontrado pelo estudante de Estatística Edezio Vitor Barros durante o almoço com colegas. Segundo ele, estava acompanhado de amigos quando percebeu o objeto na comida. O episódio causou forte reação entre os presentes. "Minha namorada quase vomitou ao ver a situação", relata em mensagens.
Após o caso ganhar repercussão entre os estudantes e nas redes sociais, justamente no momento em que a universidade realiza um congresso de 80 anos, recebendo visitas de todo o país, os representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) cobraram providências da universidade e da empresa terceirizada responsável pelo restaurante.
Para parte da comunidade acadêmica, o episódio reforça preocupações antigas sobre as condições do RU. Em entrevista ao Bahia Notícias (BN), estudante de Letras, Yasmim Rufino, afirma que já havia acionado o DCE e a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (PROAE) em outras ocasiões para denunciar problemas estruturais no espaço.
"Há muitos conflitos, pouca transparência e pouca comunicação com os estudantes. A estrutura já deveria ter mudado tem tempo", afirma. Segundo ela, ainda falta comunicação com os estudantes. Entre as principais reclamações estão o calor excessivo, o estado de conservação do restaurante e a presença frequente de pombos na área aberta do refeitório.
"Eu sinto que nós, estudantes da Ufba, não temos uma boa comunicação com a universidade. Acho que esse é o principal problema. A gente entende que existem cortes de verbas, que reformas atrasam e que a universidade enfrenta muitas dificuldades. Esse caso é a prova disso. A comunicação com o DCE e com a administração quase não existe", desabafa.
A estudante também critica a redução das porções servidas aos usuários. "Eu gosto muito dos funcionários da empresa, mas eles são instruídos a diminuir a quantidade de comida, como a proteína, que até 2025 era uma quantia e passou a ser outra", disse.
Yasmim relata ainda que, após questionar a redução das porções de proteína e do volume de suco junto à PROAE e ao Núcleo de Restaurante Universitário (NRU), recebeu uma resposta que contestava sua denúncia. "Basicamente me chamaram de mentirosa, alegando que a foto enviada na queixa havia sido adulterada", declara.
Além do caso do curativo adesivo, estudantes ouvidos pelo Bahia Notícias afirmam que já houve outros episódios no passado envolvendo objetos ou materiais encontrados nas refeições, como uma moeda de R$ 1, larvas e até a queda de um morcego em uma bandeja.
Nas redes sociais, o episódio do curativo adesivo gerou uma série de críticas de estudantes, que cobraram maior rigor na fiscalização sanitária do restaurante. Embora a operação do RU seja terceirizada, os alunos defendem que a UFBA fortaleça a supervisão do serviço prestado.
Confira:
DCE SE MANIFESTA
Em nota pública, o Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFBA) informou que solicitou uma reunião de urgência com a PROAE, a empresa responsável pela operação do Restaurante Universitário, o estudante Edezio Vitor Barros e as testemunhas do caso.
A entidade também informou ter formalizado uma notificação à PROAE para que sejam adotadas providências administrativas, incluindo a apuração dos fatos e o reforço da fiscalização do serviço.
Além disso, o DCE convocou uma plenária estudantil virtual para esta quarta-feira (8), às 19h, com o objetivo de discutir as condições do Restaurante Universitário e definir os próximos encaminhamentos do movimento estudantil. Entre as possibilidades está a realização de um ato público em defesa da melhoria da alimentação oferecida e do fortalecimento da fiscalização sanitária no RU.
O Bahia Notícias procurou a assessoria de comunicação da UFBA e a empresa Meio-Dia Refeições, responsável pela operação do Restaurante Universitário de Ondina, para solicitar um posicionamento sobre o caso. A reportagem também entrou em contato com os responsáveis técnicos pela nutrição do restaurante. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto.
Leia a nota na íntegra do DCE:
"O Diretório Central dos Estudantes da UFBA (DCE UFBA) informa à comunidade acadêmica que tomou conhecimento do relato sobre a presença de corpos estranhos em uma refeição servida no Restaurante Universitário de Ondina. O fato foi identificado por um estudante, presidente do Diretório Acadêmico de Estatística, que imediatamente comunicou a situação às representações estudantis.
Diante da gravidade da denúncia e da necessidade de garantir absoluta transparência na apuração dos fatos, o DCE adotou, de forma imediata, os seguintes encaminhamentos:
- Solicitamos uma reunião urgente com a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (PROAE), a empresa responsável pela operação do Restaurante Universitário, o estudante que identificou a ocorrência e as testemunhas presentes, para que os fatos sejam devidamente esclarecidos.
- Iniciamos um processo de levantamento e verificação das informações apresentadas, buscando reunir todos os elementos necessários para uma apuração séria e responsável.
- Notificamos formalmente a PROAE para que adote todas as providências administrativas cabíveis, incluindo a abertura dos procedimentos de investigação e fiscalização necessários.
- Convocamos uma *Plenária Estudantil Virtual, que será realizada hoje, às 19h, aberta à comunidade universitária, para discutir coletivamente a situação do Restaurante Universitário e construir os próximos passos da mobilização estudantil.
Ao final da plenária, será deliberada a realização de um ato em defesa da melhoria das condições do Restaurante Universitário, da qualidade da alimentação ofertada e do fortalecimento da fiscalização sobre os serviços prestados à comunidade estudantil.
O DCE reafirma que a alimentação estudantil é um direito e um dos pilares da permanência universitária. Qualquer situação que coloque em risco a saúde, a segurança ou a dignidade dos estudantes deve ser tratada com máxima seriedade, responsabilidade e transparência.
Seguiremos acompanhando de perto a apuração dos fatos e manteremos a comunidade informada sobre todos os desdobramentos.
Salvador, 8 de julho de 2026"
