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Descarte de caixões a céu aberto e falta de manutenção em cemitérios públicos geram indignação em Salvador

Por Redação

Descarte de caixões a céu aberto e falta de manutenção em cemitérios públicos geram indignação em Salvador
Fotos: Reprodução / TV Bahia

Moradores e familiares de entes sepultados nos cemitérios municipais de Plataforma e Periperi, situados no Subúrbio Ferroviário de Salvador, vêm denunciando o estado de abandono e a falta de infraestrutura básica nas unidades. Entre as principais queixas estão o descarte inadequado de caixões a céu aberto, a proliferação de mato alto, o mau cheiro constante e a severa dificuldade de acesso para a realização de sepultamentos.


O caso foi revelado pela TV Bahia, no Cemitério Municipal de Plataforma, dezenas de caixões já utilizados estão acumulados em uma área aberta, situando-se rente ao muro que divide a unidade com a Rua David Ferreira. Enquanto uma parcela dos resíduos está coberta de forma improvisada por lonas plásticas, outros caixões permanecem totalmente expostos às intempéries.

 

Quem reside no entorno relata prejuízos diretos à saúde e ao bem-estar diário. "Ficam aqueles mosquitos pretos e, se deixar as janelas abertas, eles entram. Ali é contagioso. Eu não sei como o pessoal aguenta esse mau cheiro. Eles tiram os caixões e abandonam. Tem que ficar denunciando para tirarem", reclama o frentista Cosme dos Santos.

 

De acordo com a engenheira sanitarista e ambiental Gabriela de Toledo, o armazenamento desse tipo de material sem a devida cobertura e proteção viola as diretrizes de manejo ambiental e sanitário, gerando riscos reais à saúde coletiva.

 

"Há problemas relatados por moradores, como geração de moscas, mau odor e líquidos que saem escorrendo. E se houver crianças que entram em contato com esse material contaminado por vírus e bactérias das pessoas que foram enterradas nesses caixões descartados? É um cenário muito triste de negligência de gestão ambiental", avisa.

 

O professor de educação física Rilson Daltro relata o impacto emocional de se deparar com o abandono no momento do luto. "Imagine que, no momento de dor, você vem sepultar um familiar e se depara com um cemitério com mato alto e túmulos quebrados. Também aparecem seres indesejados, como ratos e outros animais", afirma.

 

A situação crítica ocorre também no Cemitério Municipal de Periperi. Na última semana, registros feitos pelo aposentado Wellington Santana evidenciaram o crescimento descontrolado da vegetação, cobrindo as sepulturas e salas de apoio totalmente desorganizadas.

 

"Horrível, cheio de mato, um descaso total, as salas todas bagunçadas. Para enterrar, os buracos estão dentro do mato. Horrível, horrível, horrível", lamenta o aposentado.

 

A PREFEITURA RESPONDE

Procurada para prestar esclarecimentos, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) declarou, em nota, que está ciente das reivindicações e demandas das comunidades dos cemitérios do Subúrbio e que tem implementado medidas operacionais e administrativas para solucionar as inconformidades.

 

De acordo com o órgão, o serviço de capinação e limpeza é realizado de forma integrada pela Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb), com um cronograma periódico que prevê ciclos médios de varredura e corte de vegetação a cada 30 dias.

 

A Semop esclareceu que os caixões expostos são resíduos provenientes do processo legal de exumação. A pasta garantiu que esse material fica armazenado temporariamente nas dependências das unidades cemiteriais, conforme os protocolos operacionais internos, até que seja recolhido por caçambas da prefeitura e encaminhado para o descarte definitivo em aterros sanitários.

 

A secretaria alegou ainda que a proliferação de mosquitos costuma se acentuar devido aos ciclos de chuva comuns neste período do ano e apontou o descarte irregular de lixo por parte da própria população dentro das dependências do cemitério como um agravante para a situação sanitária.

 

Por fim, o órgão municipal informou que mantém diálogo contínuo e articulação com o Centro de Controle de Zoonoses para a pulverização de agentes químicos contra vetores de arboviroses, além de reiterar que atua em parceria com outras secretarias para aprimorar as condições de salubridade, manutenção física e operacional das necrópoles municipais.