EXCLUSIVO: Bahia Notícias entrevista presidente Lula e aborda momento de entregas e cenário político do estado
Por Mauricio Leiro / Fernando Duarte
O presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) está na Bahia e respondeu alguns questionamentos do Bahia Notícias. Em contato com a reportagem, Lula tratou, entre outro assuntos, sobre o cenário eleitoral da Bahia e destacou entregas feitas pela gestão estadual, em parceria com o governo federal.
Lula ressaltou a importância da Bahia no processo eleitoral de 2026, colocando o estado como um dos principais pontos para a manutenção do mandato. O presidente está presente na Bahia, desde a última terça-feira (30) e ficará no estado até esta quarta-feira (1º), onde visita o canteiro de obras da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica, em Vera Cruz e, acompanhará a inauguração do novo Teatro Castro Alves, em Salvador.
Ao BN, o presidente também destacou que a Bahia terá papel fundamental nas eleições estaduais, onde o gestor pretende ampliar ainda mais a margem de votos. "Neste ano, a população baiana poderá, mais uma vez, comparar qual governo tem feito mais pelo estado e por sua economia. Poderá colocar lado a lado esses projetos. E, tenho certeza, saberá mais uma vez quem é que realmente está do seu lado", disse.
Confira a entrevista completa:
O governo baiano apostou na expansão da rede de saúde, com apoio do governo federal, e a inauguração dessa unidade em Alagoinhas faz parte dessa estratégia. Junto com programas como o Mais Especialistas, qual a avaliação que o senhor faz sobre a chegada de saúde para populações distantes dos grandes centros urbanos?
Quando o assunto é saúde, as pessoas têm o direito de serem atendidas com muita dignidade. E é por isso que investimos tanto em obras como a do Hospital de Alagoinhas, que terá 190 leitos e terá investimentos de R$ 76 milhões do Governo do Brasil, complementando os R$ 114,2 milhões investidos pela gestão do companheiro Jerônimo Rodrigues. Também estamos entregando hoje 256 veículos de saúde para 152 municípios do estado. Com investimentos de R$ 118,7 milhões, são ambulâncias do SAMU, unidades móveis para prestar atendimento móvel e também vans e micro-ônibus para transportar as pessoas que moram a mais de 50 km de distância das unidades de saúde onde serão atendidas pelo programa Agora Tem Especialistas. Esse programa, aliás, é uma prioridade do nosso governo, pois seu objetivo é atender às pessoas que precisam de um atendimento ou exame mais complexo e não podem ficar esperando. Para isso, colocamos uma série de ações em movimento. Entre elas, os mutirões de atendimento dos hospitais universitários, que já realizaram mais de 200 mil cirurgias, exames e procedimentos desde o ano passado. Colocamos 89 carretas do Agora Tem Especialistas para rodar o Brasil levando consultas, exames de imagem e cirurgias especializadas diretamente a municípios e regiões onde o deslocamento da população é mais difícil. Só na Bahia, são 6 delas. E já conseguimos zerar a fila para mamografias, tomografias e cirurgias de cataratas em 51 municípios de 22 estados.
A ponte Salvador x Itaparica é um considerado um marco do desenvolvimento para a Bahia, em especial pelo novo corredor logístico criado para escoamento da produção baiana, além do deslocamento entre a capital e o interior baiano. O gargalo da logística segue como um entrave para o desenvolvimento do país. A parceria com a China pode resultar em novos investimentos, como acontece na ponte? O sonho de um Brasil plenamente integrado é um dos legados que o senhor quer deixar?
Uma coisa extraordinária que ocorreu nos últimos anos é que o Brasil voltou a investir fortemente em infraestrutura –e os R$ 11,6 bilhões que estão sendo aportados nessa ponte sonhada há tanto tempo é prova disso. E os chineses são parceiros importantes de nosso país, mas não os únicos. Ainda na semana passada, por exemplo, entregamos obras de ampliação de aeroportos do Mato Grosso do Sul, feitos em parceira com uma concessionária espanhola. Quando um país tem projetos de longo prazo, capazes de tornar sua economia ainda mais competitiva e dinâmica, quando tem estabilidade política, quando tem a previsibilidade na sua economia, ele atrai investidores. O Novo PAC, com investimentos previstos de R$ 1,3 trilhão até o final desse ano, está mostrando que que o Brasil não pode se apequenar, que sabe investir e crescer. Apenas no eixo de logística e transportes, são investimentos de R$ 366 bilhões. Na Bahia, os aportes em infraestrutura do PAC são de R$ 86,4 bilhões – e incluem ações estruturantes como a construção da Ferrovia da Integração Oeste-Leste, a FIOL, a ampliação das capacidades dos portos e o investimento de mais de R$ 12 bilhões nas rodovias que cruzam o Estado. Se olharmos a história recente do Brasil, veremos que nenhum governo fez tanto pela nossa infraestrutura quanto fizemos em meus mandatos e nos mandatos da presidenta Dilma. Pois acreditamos que um país soberano tem que ser desenvolvido e competitivo – e estradas, ferrovias, portos e aeroportos são fundamentais para isso.
A pauta da cultura foi marginalizada pela oposição e, após o retorno do senhor ao Palácio do Planalto, o tema voltou a ter repercussão, com um novo momento de investimentos. O novo TCA é um exemplo de fomento à cultura. Isso é uma pauta exclusiva da esquerda ou é algo que fervilha no Brasil e precisa ser melhor aproveitado?
Estou muito orgulhoso de participar da reinauguração da sala principal do Teatro Castro Alves que, tenho certeza, não deixa nada a dever para qualquer outra sala de nosso país. Um Teatro que a Bahia merecia ter de volta. E que finalmente está recebendo. Quanto a ser uma pauta da direita ou da esquerda, só posso dizer que quem despreza a cultura brasileira comete um crime contra a nossa própria identidade e também joga fora uma das mais importantes oportunidades para a geração de empregos e de renda com as quais podemos contar. E os baianos sabem disso melhor do que ninguém, pois têm na cultura um de seus maiores atrativos turísticos, são grandes exportadores de música e demais bens culturais para o Brasil e o mundo. Sempre tratamos o investimento em cultura como algo estratégico. Desde 2023, já repassamos para o estado e os municípios da Bahia mais de R$ 307 milhões da Lei Paulo Gustavo eperto de R$ 450 milhões da Lei Aldir Blanc. E esse investimento, podem estar certos, será multiplicado. Pois já está provado em um estudo da Fundação Getúlio Vargas que, para cada um real investido em cultura por meio da Lei Rouanet, a sociedade tem um retorno de R$ 7,59 na movimentação de toda a cadeia produtiva do setor.
É impossível falar de investimentos na Bahia sem tratar dos investimentos que o governo federal tem feito em território baiano. Citamos saúde, infraestrutura e cultura, porém segurança é um tema bem caro à população. E esses três temas que tratamos são ligados indiretamente à pauta da segurança. É assim que o senhor enxerga o enfrentamento à violência, com investimentos nas mais diversas áreas?
Para garantir a segurança à população nos dias de hoje temos uma prioridade bem clara, que é combater o crime organizado. Pois a população tem pressa e exige respostas rápidas para acabar com o medo imposto pelos bandidos. Estamos agindo forte para asfixiar as facções, endurecendo a repressão não só contra quem leva o medo à população nas ruas e comunidades, mas também indo atrás de que anda de terno e gravata na Faria Lima lavando o dinheiro que foi obtido com o crime. Só no ano passado, por exemplo, a Polícia Federal, em parceria com diversos órgãos, tirou R$ 9,5 bilhões das mãos dos criminosos – dinheiro que seria usado para comprar armas ou financiar ainda mais crimes, como o tráfico de drogas. Criamos a Lei Antifacção, aprovada no Congresso em fevereiro, que, entre outros pontos, prevê penas de até 80 anos para os faccionados – a mais longa de todo o nosso Código Penal. E, já com base nas novidades trazidas pela Lei, lançamos o programa Brasil Contra o Crime Organizado, que une tecnologia, inteligência policial e cooperação entre as diferentes polícias para reprimir essas organizações. Em cerca de um mês de operação, o programa mobilizou mais de 15 mil profissionais de segurança em 11 operações nacionais, gerou um prejuízo estimado em R$ 2 bilhões às facções criminosas e contabilizou mais de 12 mil pessoas presas. Com a PEC da Segurança Pública, que apresentamos ao Congresso, queremos expandir em muito ações desse tipo, pois as polícias poderão trabalhar de forma cada vez mais integrada, cada uma cumprindo seu papel, além de passarmos a contar com um Ministério da Segurança Pública.
A Bahia tem sido um estado estratégico nas eleições nacionais. Analisando a última eleição, o estado foi preponderante para a vitória do senhor. Como tem visto a importância eleitoral da Bahia e como pretende ampliar o número de votos no estado?
Tenho certeza de que a Bahia vai desempenhar um papel muito importante em 2026. Vai ajudar o Brasil a seguir em seu caminho de progresso, de democracia, e a evitar os retrocessos e as forças autoritárias que teimam em seguir existindo. Os baianos, por vários mandatos, contam com governadores que executam verdadeiros projetos de desenvolvimento. Um trabalho que começou com o Jaques Wagner, passou pelo Rui Costa e agora está com o Jerônimo Rodrigues. Ao longo desse tempo, a população pôde testemunhar as melhorias reais que ocorreram na vida das famílias baianas. Segundo o IBGE, apenas de 2022 até o ano passado, a taxa de desemprego caiu cinco pontos percentuais no estado, chegando a 8,7%. É a menor taxa desde 2012, quando o indicador começou a ser medido. Já a renda domiciliar per capita, também segundo o instituto, chegou a R$ 1.465, outro recorde na série histórica. Os investimentos na Bahia estão retornando com força, seja com recursos estaduais, federais ou mesmo com o capital privado, permitindo ao estado retomar sua vocação para a indústria e a tecnologia. Neste ano, a população baiana poderá, mais uma vez, comparar qual governo tem feito mais pelo estado e por sua economia. Poderá colocar lado a lado esses projetos. E, tenho certeza, saberá mais uma vez quem é que realmente está do seu lado.
