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"É um pouquinho mais difícil para a mulherada, mas dá certo”, afirma Michele Andrade sobre mulheres no forró

Por Eduarda Pinto / Aline Gama

"É um pouquinho mais difícil para a mulherada, mas dá certo”, afirma Michele Andrade sobre mulheres no forró
Foto: Waltemy Brandão / Bahia Notícias

A cantora pernambucana Michele Andrade, que se apresenta nesta quarta-feira (24) no São João do Pelourinho, em Salvador, concedeu entrevista à imprensa na qual traçou um panorama de sua trajetória artística e abordou os desafios e avanços da presença feminina no forró e na indústria musical.

 

Em suas declarações, a artista definiu sua identidade musical como resultado de experiências acumuladas desde os 13 anos de idade, quando iniciou a carreira.

 

“Eu sou a junção de tudo que vivi até aqui”, afirmou. Ela recordou que integrou bandas, trilhou carreira solo em diferentes momentos e transitou por variados palcos e formatos, incluindo apresentações em comunidades do Rio de Janeiro e uma passagem ao lado do grupo Companhia do Calypso ainda na adolescência. “Já cantei no Limão com Mel, mas também já estive no Companhia do Calypso quando eu tinha 17 anos, era só uma adolescente”, disse.

 

Segundo Michele, esse percurso permitiu que ela se sentisse à vontade para construir uma personalidade artística própria, que se expressa tanto no repertório quanto na forma de se vestir e se comportar em cena. “A Michelle foi se moldando ali, foi se sentindo à vontade para ter essa personalidade que eu tenho hoje”, explicou.

 

“Hoje eu sou muito feliz fazendo o que faço, sou feliz na minha forma de se vestir. Foi criando ali, foi criando-se uma identidade.” Sobre o som que apresenta, ela descreveu uma base nordestina e forrozeira mesclada a influências de outros gêneros. “Tem um pouco ali uma pitadinha do Pagodão da Bahia, tem uma pitadinha do funk, tem uma pitadinha do Brega Funk do Recife, eu como pernambucana. Então, é uma mistura de tudo, mantendo a base do forró. É muito coringa”, resumiu.

 

Ao ser perguntada sobre o papel de representar as mulheres no cenário do forró, a cantora reconheceu as dificuldades enfrentadas pela categoria profissional em diferentes áreas.

 

“É muito difícil para a mulherada, não só na música, mas em todo trabalho. A gente tem que se esforçar um pouco mais para ser vista, a gente tem que estar toda hora mostrando o nosso trabalho e toda hora provando alguma coisa”, afirmou. Ela ponderou, no entanto, que observa mudanças na percepção do público e na cultura musical. “Graças a Deus, a mente das pessoas aí está se abrindo, tem mudado muito. Cultura tem melhorado muito. Eu espero que assim continue, acho que dá para dar até uma aceleradinha”, completou.

 

A artista avaliou positivamente o momento atual de sua carreira e atribuiu a receptividade do público à autenticidade do trabalho que desenvolve.

 

“Graças a Deus, eu tô vivendo uma fase muito especial, a galera tem apoiado muito, e é muito bom poder ver a visão do povo assim, os olhos voltados para o cenário musical feminino”, concluiu.