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Com nova parceria, projetista de hotel no Palácio Rio Branco enfrenta ações, dívidas e gera dúvidas sobre projeto

Por Redação

Com nova parceria, projetista de hotel no Palácio Rio Branco enfrenta ações, dívidas e gera dúvidas sobre projeto
Foto: Divulgação/Experience Club

O empresário franco-americano Alexandre Allard, responsável pelo projeto de instalação de um hotel de luxo no Palácio Rio Branco, em Salvador, enfrenta uma série de questionamentos envolvendo sua situação financeira e sua atuação empresarial no Brasil. Desde o ínicio da concessão pública do equipamento, a chegada de Allard tem sido apontada como ponto controverso para a consolidação do investimento. 

 

Ainda em 2025, o Bahia Notícias já noticiava as indefinições sobre as obras no Palácio. Com a negativa do Grupo Rosewood em estampar sua bandeira no novo equipamento hoteleiro, outra empresa, desta vez baiana, deve participar da revitalização do equipamento: a André Guimarães. A mudança societária no consórcio teria sido fundamentel para o "fôlego" no projeto, com a  inclusão do grupo André Guimarães. Segundo informações obtidas pelo BN à época, a Procuradoria do Estado autorizou a inclusão da nova empresa, com a confirmação do governo para o início das obras. Porém, a permanência de Allard no projeto ainda gera questionamentos. 

 

As revelações ganham repercussão na Bahia porque Allard está à frente da proposta de transformar o Palácio Rio Branco em um hotel de padrão internacional voltado ao turismo de alto luxo. O imóvel, localizado na Praça Municipal, é um dos marcos históricos mais importantes de Salvador e foi concedido à iniciativa privada após processo licitatório promovido pelo Governo da Bahia.

 

Desde o anúncio da concessão, o projeto divide opiniões. Defensores argumentam que o investimento privado pode garantir a recuperação e conservação do edifício histórico. Já críticos questionam a destinação de um patrimônio público para um empreendimento voltado a um público restrito e apontam preocupações sobre a preservação do acesso cultural ao espaço. Agora, as dificuldades financeiras enfrentadas pelo empresário acrescentam um novo elemento ao debate. Especialistas e setores da sociedade civil avaliam que a situação pode impactar a credibilidade e a viabilidade do empreendimento, cujo cronograma e modelo de operação seguem sendo acompanhados por órgãos públicos e entidades ligadas à preservação do patrimônio histórico.

 

O empreendedor acumula ações judiciais, disputas com sócios e uma dívida de aproximadamente R$ 335 milhões relacionada ao financiamento de seu principal empreendimento no país. Allard é conhecido por idealizar o projeto Cidade Matarazzo, complexo de luxo localizado em São Paulo que abriga o hotel Rosewood. Entretanto, os recentes problemas financeiros associados ao empresário têm gerado preocupações sobre a capacidade de execução de novos investimentos, incluindo o projeto previsto para o Centro Histórico da capital baiana.

 

Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, a situação financeira do francês não seria das melhores. O empresário contratou um empréstimo de cerca de R$ 335 milhões junto ao Banco Master em 2024. O financiamento teria sido utilizado para viabilizar investimentos na Cidade Matarazzo. No entanto, Allard deixou de honrar as primeiras parcelas do contrato, estimadas em aproximadamente R$ 9 milhões cada. Como garantia da operação financeira, o empresário ofereceu sua participação societária no empreendimento paulista, avaliada em cerca de 20%. Caso a dívida não seja quitada, existe a possibilidade de perda dessa participação, considerada um dos principais ativos ligados ao seu nome no Brasil.

 

Os problemas financeiros vão além da relação com a instituição financeira. O grupo chinês CTF, sócio majoritário da Cidade Matarazzo, move uma ação judicial contra Allard cobrando cerca de R$ 9 milhões por despesas e prejuízos supostamente causados pelo empresário. Além disso, fornecedores e prestadores de serviço ligados às obras e eventos do complexo também recorreram à Justiça em busca de pagamentos considerados pendentes. Há ainda disputas relacionadas a projetos paralelos idealizados por Allard, como iniciativas de revitalização urbana no entorno da Cidade Matarazzo.

 

Outro processo citado nas reportagens envolve o empresário Marcos Elias, que busca receber aproximadamente R$ 5 milhões referentes a um empréstimo concedido anteriormente ao empreendedor franco-americano.

 

FORTES ACUSAÇÕES

Além das disputas financeiras, Alexandre Allard também foi alvo de denúncias envolvendo comportamento considerado inadequado por ex-colaboradores. Relatos reproduzidos por diferentes veículos de imprensa atribuem ao empresário declarações classificadas como racistas e xenófobas durante sua atuação empresarial no Brasil.

 

Em sua defesa, Allard reconheceu ter feito comentários em momentos de tensão, mas negou possuir posições preconceituosas e afirmou que sua trajetória profissional está associada a iniciativas voltadas à diversidade e inclusão.

 

ESTRUTURA DO HOTEL 

O hotel seis estrelas, que será construído no Palácio Rio Branco, localizado na Praça Tomé de Sousa, contará com uma estrutura de grande porte após a construção. Com investimento previsto de R$ 250 milhões, o equipamento de luxo de Salvador, deve contar com cerca de 90 quartos, conforme revelou o grupo responsável pela parte técnica, no última dia 1º

 

O edifício adquirido em janeiro de 2022, pela empresa francesa ‘BM Empreendimentos’, recebeu a assinatura da ordem de serviço no começo do mês. Durante o evento, a Secretaria de Turismo (Setur), apontou que a obra deve ficar pronta no período de 36 meses. 

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, Daniel Sande, CEO do grupo André Guimarães, que atua como braço técnico e investidor, explicou que o projeto busca integrar o patrimônio com os padrões de um hotel seis estrelas. A expectativa é que a entrega do local gere desenvolvimento econômico no entorno e que a preservação seja o diferencial do empreendimento.