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Delegado Arthur Gallas confirma pré-candidatura ao Congresso e destaca: “O sistema está montado para não dar resultado”

Por Eduarda Pinto

Delegado Arthur Gallas confirma pré-candidatura ao Congresso e destaca: “O sistema está montado para não dar resultado”
Foto: Redes sociais

A Bahia deve contar com mais um candidato vinculado às forças de segurança pública nas eleições de 2026. O delegado da Polícia Civil da Bahia, Arthur Gallas (Republicanos), confirmou a pré-candidatura a uma vaga na Câmara dos Deputados. Em entrevista ao Bahia Notícias, nesta terça-feira (16), o servidor de carreira do Estado destacou que os mais de 30 anos de carreira forneceram a experiência necessária para compreender as necessidades do sistema de segurança da Bahia.

 

“O que me motivou basicamente foi ter a visão de dentro do sistema de segurança pública, de que o que a gente está fazendo não tem como alcançar êxito se não houver mudanças acima. O sistema está montado para a polícia não dar resultado. Então, é uma coisa que me preocupa muito, inclusive pensando em meus filhos, em meus netos. É como é que vai ficar a sociedade daqui para frente?”, diz.

 

O delegado, que é presidente das Comissões de Titulação e Investigação Social da Polícia Civil, revela que, a partir desse posicionamento, ele foi convidado pelo ex-prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães (ACM) Neto, para compor o grupo da oposição. Filiado ao Republicanos, Gallas destaca que sua pré-candidatura foi estruturada como uma “dobradinha” da segurança pública, ao lado de Douglas Pithon, que sairá candidato a deputado estadual na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA).

 

“Temos a mesma formação, a mesma base, pensamos da mesma forma e, em razão disso, a ideia é que ele atue na Assembleia Legislativa e eu no Congresso Nacional”, revela. No que diz respeito aos temas defendidos na campanha, Arthur Gallas aponta que eles devem perpassar, principalmente, a valorização dos servidores da segurança.

 

Segundo ele, “as soluções hoje são todas muito voltadas para a tecnologia, essa coisa de câmera e reconhecimento facial, de ferramentas de inteligência". "Obviamente que tudo isso é necessário, mas se não tiver um policial, um ser humano capacitado para agir, a polícia não consegue dar resultados”.

 

Como um dos coordenadores de cursos da Academia da Polícia Civil da Bahia (ACADEPOL), o pré-candidato destaca que a intenção da sua candidatura é interceder por uma mudança estrutural nos formatos das secretarias de segurança pública e do Judiciário.

 

“Tem casos que se ouve falar, inclusive fora da Bahia, de o cidadão ser preso 86 vezes, ser preso 54 vezes e continuar sendo solto em audiência de custódia”, exemplifica. “Basicamente, o que a gente vai ter que tentar mudar é a questão dessa coisa do viés de ressocialização. Tem que trocar um pouco isso. Não estou dizendo que não vai ressocializar o cara que comete crimes, mas se ele não tiver a certeza de que vai ser punido pelo crime que cometeu, isso vai ser cada vez mais um estímulo”, garante o delegado.

 

Para Gallas, “tem que criar um sistema em que ele pense mil vezes antes de cometer um crime, porque ele vai ter a certeza de que vai ser alcançado e, sendo alcançado, vai perder boa parte da vida dele preso, mas preso numa cadeia dura”. Ao BN, ele explica que a intenção da dobradinha é que, justamente, esses temas possam ser abordados em nível nacional e estadual em conjunto.


Ele sustenta que, ao olhar para a valorização dos profissionais como fortalecimento do sistema de segurança pública, a Bahia e vários outros estados sofrem com um problema importante: o piso salarial da categoria.

 

“Só que não consegue resolver o problema porque o cara faz o concurso aqui e em outros estados. Na Bahia – que tem o segundo pior salário do Brasil –, rapidamente ele passa em outro concurso e vai embora, não fica aqui. Então, você não consegue resolver o problema. A Bahia está eternamente com um efetivo antigo, já há muito tempo, porque os novos, daqueles que entram, boa parte, em pouquíssimo tempo, vai para outro lugar por conta do salário”, explica o delegado.

 

Arthur Gallas diz que esses e outros temas serão debatidos efetivamente durante a campanha eleitoral, que deve ser focada na capital baiana e na região metropolitana. “O nosso foco principal é Salvador e região metropolitana, que é onde nós somos mais conhecidos. Outro foco é com o servidor policial, que nos conhece, sabe da nossa forma de proceder, inclusive como gestor”, destaca.

 

Tendo iniciado a carreira em Camamu, no Baixo Sul do estado, o delegado também aponta para uma inserção nas maiores cidades do estado. “Esperamos que, além de Salvador e RMS, nós consigamos também estar inseridos em alguns locais de maior concentração populacional, como as maiores cidades do interior, a exemplo de Feira, Conquista, Juazeiro, Itabuna e Valença”, explica.

 

Entre os colegas da segurança pública estadual, o pré-candidato explica que busca uma identificação pelo fato de que a dupla, formada por ele e Douglas Pithon "não é política". Nós estamos nos entregando ao mundo da política, que é um mundo completamente fora do nosso, mas apresentando um perfil técnico, profissional, da área de segurança, para que possamos, enquanto políticos, auxiliar na solução dos problemas da violência”, ressalta.

 

Na campanha, a expectativa é de que a mensagem de mudança e possibilidade de renovação da política de segurança pública chegue àqueles que são mais afetados pela violência no estado. “A gente está representando aí uma mudança, um novo, e com a bandeira que é a bandeira principal hoje da sociedade. Eu acho que o nosso desafio, enquanto pré-candidato e enquanto candidato, é conseguir fazer com que essa nossa mensagem chegue naquelas pessoas que estão sendo oprimidas nas comunidades”, conclui.