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“Mataram meu filho pela terceira vez”, diz pai de Henry Borel após perdão judicial a Monique Medeiros

Por Redação

“Mataram meu filho pela terceira vez”, diz pai de Henry Borel após perdão judicial a Monique Medeiros
Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil.

O pai de Henry Borel, Leniel Borel, criticou a decisão que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros após o julgamento pela morte do menino, de 4 anos. A declaração foi feita após o Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenar, na noite de quarta-feira (3), o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão e desclassificar a acusação de homicídio contra a mãe da criança para homicídio culposo.

 

“E agora venho para vocês falar que mataram o meu filho pela terceira vez. O que foi falado ali agora é que a misoginia matou o Henry. O Henry representa essas milhares de crianças que são vítimas todo dia e, por causa de decisões como essa, se abre precedente para outras mães, genitoras, que possam matar os seus filhos, que possam permitir que seus filhos sejam mortos”, declarou.

 

Os jurados entenderam que, no caso de Monique, não houve intenção de matar. Com isso, a acusação de homicídio doloso foi desclassificada para homicídio culposo. A juíza Elizabeth Machado Louro concedeu perdão judicial pelo crime. Monique também foi condenada por omissão diante das agressões sofridas pelo filho e recebeu pena de um ano e quatro meses de prisão, considerada já cumprida.

 

A decisão motivou reação do Ministério Público e da assistência de acusação. O advogado Cristiano Medina afirmou que pretende pedir a anulação do resultado relacionado a Monique.

 

Durante a leitura da sentença, a juíza afirmou que a mãe de Henry foi submetida a uma reação social “desproporcional e desmesurada” ao longo dos últimos cinco anos. A magistrada também citou questões relacionadas a preconceitos de gênero ao fundamentar a concessão do perdão judicial.

 

Já Jairinho foi condenado por homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.

 

Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos. Segundo a investigação, a criança foi levada desacordada para um hospital na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde já chegou sem vida. Laudos periciais apontaram múltiplas lesões pelo corpo e indicaram que a morte foi causada por hemorragia interna e laceração hepática provocadas por ação contundente.