Garis encerram greve nacional e não descartam nova paralisação por votação de projeto no Senado
Por Redação
Os trabalhadores da limpeza urbana retomaram as atividades após a paralisação nacional de 24 horas realizada na sexta-feira (15), mas a categoria não descarta a realização de uma nova greve nos próximos dias. O movimento foi organizado em defesa da aprovação do Projeto de Lei 4146/2020, que prevê novos direitos para os garis, incluindo piso salarial nacional e benefícios trabalhistas.
Ao Bahia Notícias, o ex-vereador Luiz Carlos Suíca, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores de Limpeza Pública e Terceirizados da Bahia (Sindilimp-BA), afirmou que a categoria fará uma avaliação sobre os próximos passos do movimento entre este sábado (16) e segunda-feira (18).
“Agora a gente vai fazer uma avaliação hoje, amanhã ou segunda-feira, e existe a possibilidade de chamar uma nova paralisação de 24 horas. Quiçá ela possa durar mais tempo, até que a vontade e os direitos dos trabalhadores sejam ouvidos”, afirmou.
Segundo Suíca, a paralisação foi motivada por tentativas frustradas de negociação no Senado em torno da proposta, que aguarda votação. O dirigente sindical afirmou que o objetivo do protesto foi pressionar o presidente da Casa, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil).
“Atingimos o objetivo principal, que foi chamar atenção da sociedade e do senador Davi Alcolumbre sobre a importância do trabalhador de limpeza urbana. Lógico que o lixo acumulado causa transtorno, mas, se Alcolumbre não sentir essa pressão e não buscar uma saída, que seria colocar o projeto para votar, as cidades podem virar um grande entulho e gente não quer isso”, declarou.
“Esses transtornos não são culpa dos trabalhadores, mas de um senador que, apesar de ser presidente da Casa, precisa ouvir e respeitar a assinatura de mais de 60 senadores que já assinaram a urgência do projeto”, disse ao BN.
Em Salvador, a mobilização provocou impactos em diferentes pontos da cidade e levou a Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) a montar uma operação emergencial para reforçar os serviços de coleta e limpeza. Segundo Suíca, a situação ainda deve levar tempo para ser normalizada. “Provavelmente não vai ser possível colocar a cidade toda em ordem em um dia, mas todo o acúmulo de lixo se deve à falta efetivo e de equipamentos. A coleta é deficitária e infelizmente afeta principalmente os bairros periféricos”, afirmou.
O Projeto de Lei 4146/2020 já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado. A proposta prevê piso salarial nacional de R$ 3.036 para profissionais da varrição, coleta e destinação de resíduos sólidos, além de adicional de insalubridade de 40%, aposentadoria especial, vale-alimentação, cesta básica, plano de saúde e jornada de seis horas diárias e 36 horas semanais.
