Ata do Copom indica ao mercado que guerra no Oriente Médio pode retardar novos cortes na taxa oficial de juros
Por Edu Mota, de Brasília
Aguardada com ansiedade pelo mercado financeiro, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, na qual foi decidido um corte de apenas 0,25% na taxa básica de juros, reforçou a tendência de que o ciclo de corte de juros tende a ser menor do que o inicialmente esperado pelo governo federal, pelas instituições financeiras e pela própria diretoria do BC.
No documento, os membros do Conselho adotam tom de cautela em relação a previsões futuras, e admitem que diante de um quadro de incertezas externas e internas, a restrição monetária pode vir a durar mais tempo.
“A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, afirmaram os membros do Copom na Ata.
O texto da Ata do Copom revela que a equipe do presidente Gabriel Galípolo trabalha com uma expectativa de redução da taxa Selic menor do que o que vinha sendo projetado anteriormente. A Selic iniciou 2026 em um patamar de 15% ao ano, posteriormente sofrendo dois cortes de 0,25%, chegando na semana passada a 14,50%.
Diante da posição de cautela impressa na Ata do Copom, o mercado financeiro especula se na próxima reunião do comitê, em 16 e 17 de junho, se haverá um novo corte de 0,25% ou até mesmo a manutenção da taxa no mesmo patamar. Isso porque, na Ata, o Copom reforça que o ciclo de cortes está diretamente ligado à duração da guerra no Oriente Médio.
“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, informaram os diretores do Banco Central.
