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Preso nesta quinta, Uldurico Júnior se filiou ao PSDB no fechamento da janela partidária e planejava candidatura à AL-BA

Por Mauricio Leiro / Leonardo Almeida

Preso nesta quinta, Uldurico Júnior se filiou ao PSDB no fechamento da janela partidária e planejava candidatura à AL-BA
Foto: Reprodução / Câmara dos Deputados

Preso acusado de envolvimento na fuga de detentos do presídio de Eunápolis, o ex-deputado federal Uldurico Júnior se filiou ao PSDB no fechamento da janela partidária. De acordo com informações obtidas pelo Bahia Notícias, ele planejava lançar sua candidatura à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) após perder a eleição para a prefeitura de Teixeira de Freitas em 2024, à época filiado ao MDB, partido que controla a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap).

 

Uma fonte da reportagem indicou que a filiação de Uldurico faria parte de uma estratégia de pulverização dos votos dos tucanos. A movimentação visava fortalecer o quociente partidário do PSDB na disputa pela AL-BA, aumentando as chances de ampliar a bancada no legislativo baiano, que atualmente conta com dois deputados.

 

A filiação de Uldurico foi confirmada pelo Bahia Notícias em consulta ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No documento, é possível identificar que ele se filiou ao PSDB no dia 3 de abril deste ano, data do fechamento da janela partidária. Confira:

 


Comprovante de filiação de Uldurico ao PSDB | Foto: TSE

 

Em 2024, Uldurico disputou a prefeitura de Teixeira de Freitas pelo MDB, partido que compõe a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Na época, a federação Cidadania-PSDB também apoiou seu nome para a eleição, fazendo parte da coligação, conforme informa o TSE.  

 


Dados do Divulgacand, do TSE | Foto: TSE

 

Em dezembro, quando houve a fuga dos detentos em Eunápolis, a Seap já estava sob o comando do MDB, inclusive, com forte influência de Uldurico Jr. em cargos de confiança. De acordo com as investigações, o ex-deputado federal negociou com o Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) o recebimento de R$ 2 milhões para facilitar a fuga em massa ocorrida em dezembro de 2024, quando 16 detentos fugiram.

 

Entre os foragidos está o traficante Ednaldo Pereira de Souza, o Dadá, apontado como líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), facção com atuação regional e vínculo com o Comando Vermelho. Dadá encontra-se atualmente no Rio de Janeiro, de onde continua comandando ações criminosas na região de Eunápolis.

 

OPERAÇÃO
Uldurico Junior foi preso em flagrante na manhã desta quinta-feira (16). Ele estava hospedado em um hotel em Praia do Forte, no município de Mata de São João, segundo informações obtidas pelo Bahia Notícias.

 

Na quarta (14), endereços ligados ao ex-deputado foram alvo de três mandados no âmbito da Operação Colligatio, que apura uma suposta prática de corrupção eleitoral, organização criminosa e outros delitos na Bahia.

 

De acordo com a PF, a investigação apura a existência de uma possível aliança entre um então candidato à prefeitura de Teixeira de Freitas [que seria Uldurido Júnior] e líderes de facções criminosas custodiados em presídios do estado.

 

O objetivo seria obter vantagem eleitoral no pleito de 2024. As medidas cautelares têm como finalidade a coleta de objetos e materiais relacionados aos delitos investigados, incluindo telefones celulares, notebooks, dispositivos eletrônicos e mídias de armazenamento, além de anotações em meios físicos e digitais.

 

RELACIONAMENTOS
De acordo com denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA), obtido pela reportagem no ano passado, Uldurico Júnior teria se envolvido em um relacionamento amoroso com a ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres. O casal, inclusive, teria rendido uma criança, a qual nasceu enquanto a ex-diretora está presa.

 

Quando estava grávida, Joneuma processou Uldurico por uma suposta cessão na assistência financeira que ela recebia do ex-deputado. De acordo com a ação, ele deixou de realizar os pagamentos após a prisão da ex-diretora, no dia 23 de janeiro de 2025.

 

Todavia, ao mesmo tempo que detinha um relacionamento com Uldurico, Joneuma também teria se relacionado com o criminoso Dadá, o qual estava custodiado no Conjunto Penal de Eunápolis.

 

VOTOS CATIVOS
Conforme a denúncia, a partir da relação amorosa entre Joneuma e o líder da facção do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), ela começou a intermediar reuniões entre o criminoso e o então candidato à prefeitura de Teixeira de Freitas, Uldurico Júnior, dentro do presídio. 

 

O Ministério Público apontou que a intenção de Joneuma ao promover tais encontros era “acobertar politicamente” as atividades da facção dentro do presídio. Em troca, ela fornecia eleitores “cativos” a Uldurico, um grupo composto por presos provisórios com direito a voto, seus amigos e familiares. Cada voto captado era recompensado com R$ 100,00, em dinheiro vivo e era pago por intermediários da facção.

 

“A intenção da denunciada Joneuma, ao intermediar estes encontros entre membros da sua organização criminosa e o ex-deputado federal Uldurico era a de acobertar ‘politicamente’ as suas atividades criminosas, bem como favorecer as ações criminosas de seu bando, as quais se desenvolviam, escancaradamente, no interior do Conjunto Penal de Eunápolis. Entre os eleitores cativos se incluía tanto os presos provisórios faccionados do Primeiro Comando de Eunápolis, que podiam votar, bem como seus amigos e familiares, os quais seriam direcionados para este fim. O voto compromissado era comercializado e cada eleitor aliciado recebia a quantia de R$ 100,00”, disse o MP-BA em denúncia.