Cadê as mulheres? Mudanças levam governo a ter o menor número de ministras desde início do mandato de Lula
Por Edu Mota, de Brasília
As mudanças anunciadas nesta terça-feira (31) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no seu ministério, com ministros que saem para disputar eleições e outros que permanecem até o final de 2026, deixou a Esplanada com o menor número de mulheres comandando pastas desde o início do terceiro mandato do líder petista.
Em 1º de janeiro de 2023, quando tomou posse, o presidente Lula deu posse a um ministério com 37 pastas, e naquela ocasião, 11 mulheres estavam presentes na fotografia da posse do novo governo. Eram elas:
Nísia Trindade – Ministério da Saúde;
Esther Dweck – Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos;
Luciana Santos (PCdoB) – Ministério da Ciência e Tecnologia;
Cida Gonçalves (PT) – Ministério das Mulheres;
Margareth Menezes – Ministério da Cultura;
Anielle Franco – Ministério da Igualdade Racial;
Ana Moser – Ministério do Esporte;
Marina Silva (Rede) – Ministério do Meio Ambiente;
Simone Tebet (MDB) – Ministério do Planejamento;
Daniela Souza Carneiro [Daniela do Waguinho] (União Brasil) – Ministério do Turismo; e
Sonia Guajajara (PSOL) – Ministério dos Povos Indígenas
A atual configuração da Esplanada dos Ministérios chegou às atuais 38 pastas com a criação, em janeiro de 2024, do Ministério do Empreendedorismo. Márcio França, que era o ministro de Portos e Aeroportos, assumiu o novo ministério.
Durante os últimos três anos e três meses, diversas ministras foram deixando o governo e sendo substituídas por homens, assim como alguns homens acabaram sendo substituídos por mulheres. Da primeira formação do governo, deixaram a Esplanada as ministras Nísia Trindade, Cida Gonçalves, Ana Moser e Daniela do Waguinho.
Já as que entraram durante o mandato foram Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Márcia Lopes (Mulheres) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos). Com as entradas e saídas, a configuração do governo Lula até esta terça contava com dez ministras mulheres entre os 38 comandantes de ministérios.
Por conta do prazo de desincompatibilização imposto pela Justiça Eleitoral, que obriga ministros a saírem de seus cargos seis meses antes das eleições, cerca de 18 titulares de pastas da Esplanada pedirão exoneração. Entre a bancada feminina, seis devem deixar o governo: Macaé Evaristo, Anielle Franco, Marina Silva, Simone Tebet, Sônia Guajajara e Gleisi Hoffmann.
Das dez que atualmente são ministras, quatro permanecerão na Esplanada: Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Margareth Menezes (Cultura), Esther Dweck (Gestão e Inovação) e Márcia Lopes (Mulheres).
A esse grupo se somarão quatro atuais secretárias-executivas que serão empossadas como ministras. São elas: Miriam Belchior (Casa Civil), Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário), Janine Mello dos Santos (Direitos Humanos) e Rachel Barros de Oliveira (Igualdade Racial).
Pelas mudanças desta semana, o governo Lula passará a contar com oito ministras entre os 38 titulares de pastas, o menor número de mulheres desde o início do terceiro mandato. Esse total ainda pode mudar, caso haja a indicação de alguma mulher para substituir Gleisi Hoffmann nas Relações Institucionais.
