Deputado propõe Título de Cidadã Baiana a Tatiana Sampaio, cientista que descobriu tratamento inovador para tetraplegia
Por Leonardo Almeida
A sensação do Brasil no momento, a cientista Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, pode ser homenageada com o título de Cidadã Baiana na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). A proposição, de autoria do deputado estadual Hilton Coelho (Psol), foi protocolada nesta segunda-feira (23) e destaca os estudos sobre a polilaminina, medicamento que vem alcançando resultados expressivos no tratamento da tetraplegia.
Tatiana, professora de histologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está à frente do grupo de pesquisadores que investiga os potenciais efeitos positivos da aplicação da polilaminina na recuperação de movimentos após lesões completas na medula. A descoberta é fruto de quase 30 anos de pesquisa e tem sido tratada como uma das maiores promessas da ciência no retorno dos movimentos corporais.
“O trabalho desta mulher, mãe de três filhos e cientista que resiste às políticas de precarização da universidade, precisa ser exaltado e fortalecido. Trata-se de um marco importante para a saúde, especialmente para pessoas com lesão medular aguda e crônica. Diante de tão importante contribuição para a ciência brasileira e a esperança renovada para milhares de pessoas acometidas com lesões na medula, tanto no Brasil como na Bahia, nada mais justo que o reconhecimento público ao conceder o Título de Cidadã Baiana”, escreveu Hilton na proposta.
A polilaminina é uma substância desenvolvida a partir da proteína natural laminina, abundante na placenta, e vem sendo estudada como alternativa para auxiliar na recuperação de lesões na medula espinhal. Apesar da repercussão recente, ela ainda está em fase de pesquisa clínica e não é um medicamento aprovado para venda.
A discussão ganhou força após a pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável pelo desenvolvimento inicial da tecnologia, afirmar que o pedido de patente feito em 2007 teria perdido validade internacional por falta de pagamento de taxas no exterior, em um período de restrição orçamentária.
Segundo a pesquisadora, a patente só foi concedida em 2025, 18 anos depois do pedido. Ainda assim, ela deve expirar em 2027, 20 anos após o pedido, o que deixaria pouco tempo de vigência no Brasil e nenhuma proteção fora do país.
