Carnaval de Salvador tem monitoramento do ar, copos reutilizáveis e reaproveitamento têxtil
Por Redação
O Carnaval de Salvador mais uma vez incorporou iniciativas voltadas à sustentabilidade durante os dias da folia. E, neste ano, um dos destaques é o trabalho do Observatório do Clima, instalado em um contêiner no Circuito Osmar (Centro) pela Prefeitura.
O espaço funciona como base de monitoramento ambiental e também como ponto de divulgação de projetos ligados à redução dos impactos da festa. Uma das principais frentes é o monitoramento da qualidade do ar nos circuitos oficiais. Para isso, foram instalados equipamentos no Campo Grande e na Barra, permitindo comparar dados e identificar padrões de poluição ao longo da folia.
De acordo com a Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), como é o segundo ano do acompanhamento, em 2026 a equipe vai ter condições de comparar com os dados de 2025 e entender os horários de pico.
"Tivemos alguns resultados surpreendentes: a qualidade do ar no Campo Grande foi melhor do que na Barra, mesmo a Barra estando de frente para o mar. Acreditamos que a altura do vento e a presença de árvores aqui ajudam nessa melhoria”, acrescenta o secretário da Secis, Ivan Euler.
O Observatório também reúne informações sobre outras ações sustentáveis do Carnaval, desde a coleta de resíduos até iniciativas sociais e campanhas educativas. O espaço apresenta dados diários da limpeza urbana e orientações sobre preservação ambiental, incluindo a proteção do Parque Marinho da Barra.
O contêiner também abriga ações educativas, entre elas a distribuição de copos reutilizáveis, associada a um quiz sobre sustentabilidade no Carnaval.
Outra ação sustentável é o recolhimento das camisas de funcionários da Prefeitura e de outros tecidos no âmbito do projeto Refoliar, que reaproveita materiais usados no Carnaval. A iniciativa inclui capacitação de mulheres em situação de vulnerabilidade social, em parceria com a instituição Pérolas de Cristo.
De acordo com a diretora do projeto, Vanda Souza, a proposta é transformar o excesso de tecidos da festa em oportunidade de geração de renda. “O setor têxtil é o segundo maior poluidor do mundo. Quando se fala em latinhas ou garrafas PET, já existem muitas cooperativas. O têxtil não tem essa mesma estrutura. Então pensamos em criar esse projeto”, diz.
Ainda segundo Vanda, o objetivo é fechar um ciclo que combine sustentabilidade e inclusão social. “A proposta é aproveitar esse material dentro de um ciclo completo: capacitar mulheres em situação de vulnerabilidade, ensinando técnicas de reaproveitamento para que tenham uma fonte de renda. Em parceria com a secretaria, vamos realizar um curso na Pérola de Cristo para 20 mulheres. A primeira produção será de cobertores feitos com retalhos de camisetas e abadás coletados”, explica.
Os servidores municipais poderão entregar as camisas utilizadas no período da festa em urnas instaladas no Observatório ou nos órgãos da administração municipal. O material será transformado em mantas e mochilas-saco, que serão distribuídas para pessoas em situação de rua.
